segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

A Volta Iminente de Jesus e o Nosso Estilo de Vida



Se alguém perguntasse se você acredita em tudo o que está escrito na Bíblia, com certeza a sua resposta seria: “Sim, claro!” Você crê que Deus ama você. Você acredita que uma pessoa que não crê em Jesus será condenada? A sua resposta será: “Sim com certeza, pois a Bíblia ensina isso”. Sua resposta, porém, levantará dúvidas se você não estiver envolvido com evangelismo. Em Tiago 2.20 lemos: “Insensato! Quer certificar-se de que a fé sem obras é inútil?” A mesma declaração nós fazemos a respeito da volta de Jesus. Todos acreditamos que Jesus voltará, mas o nosso estilo de vida não reforça esta declaração. Vivemos a nossa vida como se Jesus nunca voltasse.

Sem dúvida, a volta de Jesus está próxima. Hoje estamos mais perto do que nunca (Rm 13.11). Lemos em Hebreus 10.37: “pois em breve, muito em breve ‘Aquele que vem virá e não demorará’”. Mesmo que não acreditamos firme na promessa de que Jesus voltará em breve, ELE cumprirá a Sua promessa. Ele é fiel com as Suas palavras.

Quando o missionário e pesquisador da África, David Livingstone (1813-1873), atravessou a África pela segunda vez com seus ajudantes da tribo dos Makololo, ficou sem verba. Com o que sobrou de seus pertences, à base de troca, conseguiu convencer um cacique Zambeze para cuidar de sua equipe, até ele voltar da Inglaterra com recursos. Prometeu aos Makololo que voltaria o mais depressa possível para levá-los de volta à sua terra.

Livingstone se foi. Logo os Zambeze começaram a zombar: “Vocês acreditam que esse homem branco vai voltar? Nunca vimos um branco investir tempo e dinheiro em negros”. A resposta dos Makololo foi: “Vocês não conhecem o nosso pai! Ele deixaria a sua vida por nossa causa! Ele volta com certeza e vai levar-nos para casa!”

Passou um ano. Alguns Makololo adoeceram e morreram. Passou o segundo ano. Os Zambeze zombavam cada vez mais. Os Makololo se firmavam mais ainda na promessa: “Ele volta com toda certeza”. – E, de fato: certo dia ouvia-se um barulho estranho. Todos correram para o rio. Um grande barco-a-vapor estava subindo o rio, fungando e fumaçando, o primeiro a percorrer aquele rio. Com grande júbilo, gritando “Nosso pai! Nosso pai!”, os Makololo se atiraram na água, subiram a bordo e abraçaram o homem fiel.

Será que Jesus merece menos confiança do que David Livingstone? Será que Jesus não vai fazer valer Suas palavras: “Vocês verão o Filho do Homem descer em uma nuvem? Os seus lembram de suas palavras: Os céus e a terra passarão, mas as minhas palavras jamais passarão”.

Não precisamos de mais sinais para esperar Jesus a qualquer momento. Estamos vivendo em uma época especial. Todos os acontecimentos aprovam que estamos caminhando para o cumprimento de Apocalipse 13, que prevê um controle total sob a direção do Anticristo. Mas o Arrebatamento acontecerá antes de tudo isso. Por isso, a grande pergunta é: “Como é o nosso estilo de vida, diante destes fatos?” O nosso encontro com Jesus pode ser hoje, através da morte natural, de um acidente ou de um outro acontecimento.

Amar Somente a ELE – Ninguém pode Servir a Dois Senhores

Em Tiago 5.1-6 lemos sobre um estilo de vida que a maioria das pessoas adota e que tem um fim desastroso. O estilo de vida dessas pessoas era um estilo de vida em função do dinheiro. Um ditado diz que “o dinheiro governa o mundo”. Não se pode negar esta verdade. Este estilo de vida também já causou problemas para Asafe. No Salmo 73, ele diz: “Quanto a mim, os meus pés quase tropeçaram; por pouco não escorreguei. Pois tive inveja dos arrogantes quando vi a prosperidade desses ímpios. Eles não passam por sofrimento e têm o corpo saudável e forte. Assim são os ímpios; sempre despreocupados, aumentam suas riquezas” (v. 2-4,12).

Todos nós precisamos de dinheiro, mas a Bíblia alerta em Mateus 6.24 que “ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro”.

O dinheiro é considerado um senhor que muitos servem como escravos. A Bíblia é clara: não podemos servir à Deus e viver em função do dinheiro ao mesmo tempo. Em 1Timóteo 6.9-11 lemos: “Os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na ruína e na destruição, pois o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram com muitos sofrimentos. Você, porém, homem de Deus, fuja de tudo isso...” Em uma versão diferente, lemos no verso 11: “Faz de tudo, para que nada e ninguém se torne mais importante do que Deus, confie Nele e ame ao seu próximo”.

Por isso, o nosso estilo de vida deve ser diferente. Quem ama o dinheiro exclui Deus. No verso 7 lemos sobre um agricultor. Ele prepara a terra e semeia a semente, mas a chuva ninguém pode fazer e sem chuva não há colheita. Precisamos de Deus. Somos chamados para viver em comunhão e em parceria com Deus. Jesus diz em João 15.5: “... sem mim vocês não podem fazer coisa alguma”. Viva com Ele pela fé. Se a chuva vier logo é bom, pela fé digamos “Amém!” Se demorar, “Amém!” Se recebermos cura, ótimo, se não recebermos a cura, amém também. Tenha paciência e não adote um estilo de vida igual aos incrédulos, que procuram resolver as coisas sozinhos com atitudes erradas. Tiago 5.4 e 6 servem como exemplo.

O nosso estilo de vida diante da iminente volta do Senhor deve ser: caminhar com Ele e depender Dele. O apóstolo João também escreve em 1João 2.28: “Filhinhos, agora permaneçam nele para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança e não sejamos envergonhados diante dele na sua vinda”.

Em Hebreus 10.37 lemos que Jesus voltará sem demora. O meu justo viverá pela fé. Isto significa: meu Senhor determina o que acontece e eu aceito isso das mãos Dele. Asafe, que sofreu tentações com o estilo de vida de perversos que não perguntavam o que agradava a Deus, diz no Salmo 73.23: “Contudo, sempre estou contigo”. E, no mesmo salmo: “A quem tenho nos céus senão a ti? E, na terra, nada mais desejo além de estar junto a ti. O meu corpo e o meu coração poderão fraquejar, mas Deus é a força do meu coração e a minha herança para sempre... para mim, bom é estar perto de Deus” (v. 25-26,28).


Todos nós precisamos de dinheiro, mas a Bíblia alerta em Mateus 6.24 que “ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro”.

Nós temos este estilo de vida? Estamos juntos a Deus? No verso 6 vemos que os justos dessa época preferiram morrer do que abandonar seu estilo de vida. Eles não se justificaram, mas escolheram o caminho que os manteve em comunhão com o seu Senhor. E com este estilo de vida eles estavam preparados para a volta de Jesus a qualquer momento, sem precisar se envergonhar. Em Mateus 24.48-51 lemos o contrário: “Mas suponham que esse servo seja mau e diga a si mesmo: ‘Meu senhor está demorando’, e então comece a bater em seus conservos e a comer e a beber com os beberrões. O senhor daquele servo virá num dia em que ele não o espera e numa hora que não sabe. Ele o punirá severamente e lhe dará lugar com os hipócritas, onde haverá choro e ranger de dentes”.

Imagine Jesus nos encontrando como Geazi, ele sabia tudo sobre Deus, era servo de um profeta que era um exemplo também com relação ao dinheiro, mas mesmo assim vemos que Geazi serviu não só a Deus, mas também a um outro senhor. Ele não manteve a parceria só com Deus. Quando olhamos para as circunstâncias, talvez abrimos mão de perseverar neste estilo de vida. Pense em Elias, que orou sete vezes, ele também tinha que perseverar e não parou quando depois da primeira oração não recebeu resposta. Ele ficou em comunhão com o seu Senhor e O honrou. É este estilo de vida que temos que aplicar em nossa vida diante da volta iminente de Jesus, viver pela fé em parceria com ELE.

Não desanimar – não desistir

Sem dúvida estamos diante da reta final na nossa vida de fé. Não sei quanto tempo nos resta, mas quero através dessas linhas nos animar a continuar a nossa corrida e não desanimar. O nosso fortalecimento está relacionado com a vinda do Senhor. Precisamos adotar o estilo de vida do apóstolo Paulo, que diz em Filipenses 3.20: “A nossa cidadania, porém, está nos céus, de onde esperamos ansiosamente o Salvador, o Senhor Jesus Cristo”. E, em Filipenses 1.21-23: “Porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro. Caso continue vivendo no corpo, terei fruto do meu trabalho. E já não sei o que escolher! Estou pressionado dos dois lados: desejo partir e estar com Cristo, o que é muito melhor”.

O apóstolo Paulo viveu um estilo de vida que o deixava preparado para partir para o Senhor a qualquer momento. Isso se tornou uma realidade para ele! Isso influenciou a sua vida e o seu dia a dia no meio de problemas e tribulações. Lemos em Romanos 8.17-18: “Se somos filhos, então somos herdeiros; herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo, se de fato participamos dos seus sofrimentos, para que também participemos da sua glória. Considero que os nossos sofrimentos atuais não podem ser comparados com a glória que em nós será revelada”.

Ele fortaleceu seu coração com estas verdades e esperava a volta de Jesus. E por isso, ele recomenda falarmos e meditarmos sobre o nosso futuro maravilhoso e o nosso encontro com o Senhor Jesus. Paulo diz em 1Tessalonicenses 4.17-18 que esta espera pela volta de Jesus deve ser nossa fonte de consolo: “Depois nós, os que estivermos vivos, seremos arrebatados com eles nas nuvens, para o encontro com o Senhor nos ares. E assim estaremos com o Senhor para sempre. Consolem-se uns aos outros com essas palavras”.

Sigamos o nosso caminho com a cabeça erguida, mesmo tendo que passar por sofrimentos e dificuldades. Estamos a caminho do melhor. E o maior consolo consiste nas palavras de Jesus. É Ele que prometeu tudo isso. Fortaleçamos os nossos corações com a verdade de que Deus não pode mentir. Com toda certeza, tudo que está escrito na Bíblia vai se cumprir. Habacuque 2.3 diz: “Pois a visão aguarda um tempo designado; ela fala do fim e não falhará. Ainda que demore, espere-a; porque ela certamente virá e não se atrasará”.

Também em Hebreus 6.15-18 somos desafiados a não desistir porque temos forte alento em tudo que Deus é: “E foi assim que, depois de esperar pacientemente, Abraão alcançou a promessa. Os homens juram por alguém superior a si mesmos, e o juramento confirma o que foi dito, pondo fim a toda discussão. Querendo mostrar de forma bem clara a natureza imutável do seu propósito para com os herdeiros da promessa, Deus o confirmou com juramento, para que, por meio de duas coisas imutáveis nas quais é impossível que Deus minta, sejamos firmemente encorajados, nós, que nos refugiamos nele para tomar posse da esperança a nós proposta”.

Neemias experimentou diversas tentações antes de fechar o muro. Isto descreve também a situação que nós estamos vivendo na última etapa antes da volta de Jesus. Como Neemias se fortaleceu? Neemias 4.14: “Fiz uma rápida inspeção e imediatamente disse aos nobres, aos oficiais e ao restante do povo: Não tenham medo deles. Lembrem-se de que o Senhor é grande e temível e lutem por seus irmãos, por seus filhos e por suas filhas, por suas mulheres e por suas casas”.

Noé experimentou nada de animador. Ele foi desprezado e considerado louco, mas não desistiu, mesmo recebendo somente uma palavra do Senhor; perseverou e experimentou um final feliz.

De Davi lemos em 1Samuel 30.6b: “Davi, porém, fortaleceu-se no Senhor, o seu Deus”. A situação que ele experimentou não foi fácil, ele perdeu tudo, esposa, filhos, casa, etc., mas ele não desistiu porque acreditava no Senhor, que é maior do que todos os problemas.

Tudo que experimentamos que é negativo e difícil de entender faz parte da preparação da nossa vida para a eternidade. Podemos ter a certeza de que TUDO tem um propósito. Assim lemos em 2Coríntios 4.16-18: “Por isso não desanimamos. Embora exteriormente estejamos a desgastar-nos, interiormente estamos sendo renovados dia após dia, pois os nossos sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles. Assim, fixamos os olhos, não naquilo que se vê, mas no que não se vê, pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno”.

O nosso estilo de vida, antes da volta de Jesus, deve ser o de não desistir! Imagine como Jesus venceu essa etapa tão difícil antes de Sua crucificação. Hebreus 12.2 diz: “Tendo os olhos fixos em Jesus, autor e consumador da nossa fé. Ele, pela alegria que lhe fora proposta, suportou a cruz, desprezando a vergonha, e assentou-se à direita do trono de Deus”.

A vinda do Senhor está próxima, fortalecei os vossos corações!

Viver Uma Vida em Santificação

Você ainda se lembra da sua infância, quando você brigou com os colegas na escola e neste exato momento entrou o professor? Você arrancou os cabelos do colega e, na presença do professor, uns ficaram com rostos vermelhos de vergonha, e você se defendeu com a justificativa: “foi ele, não eu”. Imagine Jesus voltando e nos encontrando em uma situação semelhante. Este estilo de vida está muito presente em nós. Em Mateus 24.48-50 lemos: “Mas suponham que esse servo seja mau e diga a si mesmo: ‘Meu senhor está demorando’, e então comece a bater em seus conservos e a comer e a beber com os beberrões. O senhor daquele servo virá num dia em que ele não o espera e numa hora que não sabe”.

Já foi mencionado 1João 2.28, que é muito importante neste contexto. Esse versículo trata justamente disso, sermos encontrados com vergonha. O nosso estilo de vida deveria ser a busca constante de purificação e paz com os outros. 1João 3.3 diz: “Todo aquele que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, assim como ele é puro”. “Feliz o servo que seu senhor encontrar fazendo assim quando voltar” (Mt 24.46). Para não corrermos o risco de sermos encontrados por Jesus tendo atitudes vergonhosas, precisamos viver um estilo de vida como lemos em 2Pedro 3.14: “Portanto, amados, enquanto esperam estas coisas, empenhem-se para serem encontrados por ele em paz, imaculados e inculpáveis”. É justamente por isso que experimentamos tribulações e estamos em processo de transformação, que às vezes não é fácil de suportar. Nestes tempos de sofrimento, é animador se lembrar de outros que também passaram pelas mesmas experiências que nós, e muitas vezes bem mais difíceis. Lemos em Tiago 5.10: “Irmãos, tenham os profetas que falaram em nome do Senhor como exemplo de paciência diante do sofrimento”. Eles perseveraram em dificuldades muito maiores e saíram vitoriosos, e assim eles servem hoje como modelo para nós. O estilo de vida de pessoas que vivem uma vida de santificação serve como modelo para a sua vida, e você verá que a pessoa que optou por este estilo de vida é abençoada. Lemos isso no verso seguinte: “... nós consideramos felizes aqueles que mostraram perseverança”. Viver em santificação deveria ser o estilo de vida para cada filho de Deus, pois esta é a vontade de Deus (1Ts 4.3).

“Imaginemos Jesus voltando amanhã para buscar a Sua Igreja. Imaginemos ter exatamente 24 horas de prazo à nossa disposição. O que seria importante para nós nesse momento? Como usaríamos o tempo disponível?

No começo haveria uma grande agitação. Mas certamente cada um de nós rapidamente faria planos acerca do que ainda desejaria realizar na Terra nessas últimas 24 horas.

Em primeiro lugar, todo crente se humilharia diante de Deus e confessaria todos os pecados que inquietam seu coração e pesam em sua consciência. Em seguida, iríamos rapidamente falar com todas as pessoas contra quem cometemos injustiças, pedindo-lhes perdão e procurando verdadeira reconciliação. Quando não fosse possível fazê-lo pessoalmente, telefonaríamos, escreveríamos ou mandaríamos uma mensagem de voz.

Para estar ainda mais bem preparado para o Arrebatamento, certamente todo crente ainda haveria de pensar sobre as oportunidades de servir negligenciadas e tentaria recuperar as chances perdidas. Acima de tudo, nos empenharíamos para que nossos parentes, amigos e vizinhos ouvissem um testemunho claro da nossa fé. Não mediríamos esforços e faríamos tudo para ganhar a sua atenção. Eles haveriam de perceber a nossa seriedade. E provavelmente nesse dia cada um de nós ganharia pelo menos uma pessoa para Jesus.

Então pensaríamos no nosso dinheiro, lastimando termos dado tão poucas ofertas para o Reino de Deus. Sacaríamos as nossas cadernetas de poupança, distribuindo o dinheiro de maneira sensata onde houvesse necessidade. Nem em sonho alguém pensaria em desperdiçar tempo com divertimentos e lazer nesse dia.


Imaginemos Jesus voltando amanhã para buscar a Sua Igreja. Imaginemos ter exatamente 24 horas de prazo à nossa disposição. O que seria importante para nós nesse momento? Como usaríamos o tempo disponível?

A seguir, iríamos para a última reunião de estudo bíblico e oração na igreja. O prédio seria pequeno demais para tanta gente. Muitos estariam de pé. Todos orariam sem envergonhar-se no meio da grande multidão ou em grupos menores. E quando chegasse a hora dos testemunhos, as pessoas não iriam parar de falar. Cada um contaria das suas experiências com Deus e relataria o que o Senhor fez por seu intermédio nesse dia. Certamente todos os testemunhos terminariam de maneira semelhante: ‘Eu lamento muito porque por tantos anos não vivi de maneira totalmente consagrada, que ajudei tão pouco na expansão do Reino de Deus, que dei poucas ofertas, que quase não testemunhei a outros e que raramente participei das reuniões de oração, porque pretensamente tinha coisas mais importantes a fazer. Espero que o Senhor ainda demore mais um pouco e só volte daqui a dois ou três anos! Então eu mudaria totalmente a minha vida! Gostaria tanto de produzir frutos para a eternidade, de juntar tesouros no céu’.

Ninguém olharia para o relógio desejando que o culto acabasse logo.

É uma atitude absolutamente realista crer que Jesus poderá voltar amanhã. Todos os sinais do nosso tempo mostram que vivemos nos últimos dias. Mas talvez ainda nos restem exatamente esses dois ou três anos de prazo para trabalhar para o Senhor. Assim, nosso desejo de fato estaria realizado e ainda teríamos tempo para recuperar parte daquilo que negligenciamos. Comecemos hoje mesmo!” (Daniel Siemens – http://www.chamada.com.br)

A noiva que vai encontrar o noivo precisa se preparar e se purificar para poder viver com ELE, que é santo por toda a eternidade. O nosso estilo de vida deve ser conforme Hebreus 12.14 diz: “Esforcem-se para viver em paz com todos e para serem santos; sem santidade ninguém verá o Senhor”. Viver para agradar o Senhor não nos permite viver o estilo de vida dos incrédulos. Eles vivem conforme Efésios 4.17-32.

Perseverar

“Irmãos, não se queixem uns dos outros, para que não sejam julgados. O Juiz já está às portas!” Tanto este versículo como também Tiago 1.12 afirmam que se perseveramos teremos um resultado muito feliz. Nós estamos na reta final e vale a pena perseverar. Pense em Jó, foi muito difícil suportar tantos sofrimentos. Em Jó 19.10 ele fala que a sua esperança foi arrancada como a uma árvore. Mas ele perseverou e lemos de um final feliz onde ele foi recompensado. Vale a pena perseverar. Isso já lemos em Habacuque 2.3. Mesmo que a promessa demore para se cumprir, você tem a palavra de Deus que o cumprimento virá. Imagine um atleta que está a uma volta do final e abandona a corrida porque acha que não vai aguentar. Está escrito em 2Timóteo 2.12: “se perseveramos, com ele também reinaremos. Se o negamos, ele também nos negará”.

Após a Segunda Guerra Mundial, muitas mulheres casaram-se outra vez porque não recebiam mais notícias de seus maridos. Achavam que não voltariam mais. Mas, de repente, o esposo voltava e encontrava sua esposa casada com outro. Imagine Jesus voltando e nos encontrando “casados” com outros senhores e outras coisas que não seja Ele!

Por isso lemos em Hebreus 10.35: “Por isso, não abram mão da confiança que vocês têm; ela será ricamente recompensada”. Quem perseverar, ouvirá as palavras: “... nós consideramos felizes aqueles que mostraram perseverança” (Tg 5.11). Maria ouviu as seguintes palavras em Lucas 1.45: “Feliz é aquela que creu que se cumprirá aquilo que o Senhor lhe disse!” Todas as testemunhas em Hebreus 12.1 reforçam este pensamento – vale a pena perseverar: “Portanto, também nós, uma vez que estamos rodeados por tão grande nuvem de testemunhas, livremo-nos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve e corramos com perseverança a corrida que nos é proposta”. Este tempo de espera e de perseverança nem sempre é algo agradável, mas como 1Pedro 1.6 diz: “Nisso vocês exultam, ainda que agora, por um pouco de tempo, devam ser entristecidos por todo tipo de provação”. Ou Hebreus 12.11: “Nenhuma disciplina parece ser motivo de alegria no momento, mas sim de tristeza. Mais tarde, porém, produz fruto de justiça e paz para aqueles que por ela foram exercitados”. Sem luta não há vitória. Jesus disse em João 16.21-22 que o tempo de perseverança é um tempo difícil, mas tem a sua recompensa.

Perseverar firme não é em vão – vale a pena!

Final Feliz

Veja qual foi a paciência de Jó e o fim que o Senhor lhe deu. O Senhor lhe deu um final feliz porque é muito misericordioso e piedoso. O Senhor preparou um final muito feliz para todos que creem e perseveram até o fim.

Pense em Noé, este homem sofreu durante 120 anos. Ele anunciou a mensagem de Deus e ninguém a aceitou. Ele foi desprezado e a as pessoas zombaram dele, mas ele experimentou um final feliz.
Jó é um exemplo para todos que sofrem no presente. O final dele nos anima a continuar mesmo vivendo com dores. Jó não só foi abençoado materialmente, mas também espiritualmente. “Meus ouvidos já tinham ouvido a teu respeito, mas agora os meus olhos te viram” (Jó 42.5).

Daniel perseverou em um estilo de vida que glorificou o Senhor, e por isso ele sofreu injustiças, mas desfrutou um final feliz.

Asafe, que sofreu de corpo e alma, chegou a uma conclusão no Salmo 73.25-26: “A quem tenho nos céus senão a ti? E, na terra, nada mais desejo além de estar junto a ti. O meu corpo e o meu coração poderão fraquejar, mas Deus é a força do meu coração e a minha herança para sempre”.

Como é que Paulo perseverou na viagem com um navio que naufragou? Em Atos 27.20 lemos: “Não aparecendo nem sol nem estrelas por muitos dias e continuando a abater-se sobre nós grande tempestade, finalmente perdemos toda a esperança de salvamento”. Humanamente sem esperança, mas ele perseverou em fé como lemos em verso 25: “Assim, tenham ânimo, senhores! Creio em Deus que acontecerá conforme me foi dito”. Ele experimentou um final feliz. E quem perseverar vai ouvir as palavras que Maria também ouviu: “Feliz é aquela que creu que se cumprirá aquilo que o Senhor lhe disse!” (Lc 1.45).

Já hoje e agora a pessoa que persevera experimente essa benção, depois da provação vem a exaltação. Como foi na vida de Jô, o “depois” será maravilhoso. Lemos em Jó 42.10 e 12: “Depois que Jó orou por seus amigos, o Senhor o tornou novamente próspero e lhe deu em dobro tudo o que tinha antes. O Senhor abençoou o final da vida de Jó mais do que o início. Ele teve catorze mil ovelhas, seis mil camelos, mil juntas de boi e mil jumentos”.

Não sei descrever quanto maior serão as bênçãos quando chegarmos no nosso final feliz, mas eu tenho a certeza absoluta que será numa proporção que não podemos explicar com palavras. Em 1Coríntios 2.9 lemos: “Olho nenhum viu, ouvido nenhum ouviu, mente nenhuma imaginou o que Deus preparou para aqueles que o amam”.

Ele preparou um final feliz para você que perseverar até ao final. Vale a pena, meu irmão e minha irmã, continuar nas lutas e sofrimentos, pois sabemos o que está escrito em Filipenses 1.23 e Romanos 8.18 são fatos: “Estou pressionado dos dois lados: desejo partir e estar com Cristo, o que é muito melhor” (incomparavelmente melhor), porque “considero que os nossos sofrimentos atuais não podem ser comparados com a glória que em nós será revelada”. Estamos a caminho do melhor!

Por isso, levanta-te e siga para o alvo para um final feliz sem fim. — Ernesto Kraft

domingo, 11 de fevereiro de 2018

CRISTO ATRATIVO




E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo. De longe se me deixou ver o SENHOR, dizendo: Com amor eterno eu te amei; por isso, com benignidade te atraí. Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor; fui para eles como quem alivia o jugo de sobre as suas queixadas e me inclinei para dar-lhes de comer.” (Jo 12:32; Jr 31:3; Os 11:4)

Não é meu propósito aqui informar-lhes sobre física, química ou biologia. Mas, permitam-me usar algumas ilustrações que nos auxiliam na contemplação dos maravilhosos versículos supracitados e o que podemos aprender disso.
1.       O imã e as limalhas de ferro
Ao passarmos o imã sobre várias limalhas de ferro, numa pequena distância, ele as atrai a si devido ao campo magnético que o mesmo provoca. Esse campo magnético produzido pelo imã magnetiza o ferro de forma que os seus imãs elementares se alinham no sentido do campo que é aplicado, ou seja, o ferro se transforma em um imã, ocorrendo dessa forma a sua atração.
2.       O sol e os girassóis
Ao contemplarmos os girassóis em dias ensolarados, veremos que eles são atraídos em direção ao sol e se movem segundo o seu movimento. Isso ocorre porque o crescimento do caule dos girassóis responde à ação da luz; a saber, essa planta é adaptada para captar a maior quantidade possível de energia solar, absorvendo mais luz para fabricar energia.
Nessas ilustrações, podemos ser comparados às limalhas de ferro e aos girassóis e Cristo ao imã e ao sol. É obvio que essa comparação é somente um empréstimo temporário para nossa consideração. É digno de nota considerar primeiramente que, sem a ação do imã e do sol, não haveria resposta desses elementos atraídos. Igualmente, sem a ação de Cristo de nos atrair a Si mesmo, não haveria qualquer resposta em nós em direção a Ele. Ainda é interessante considerar o contraste existente entre Cristo Jesus e nós (diferentemente do aspecto semelhante do imã em relação ao ferro e do sol em relação aos girassóis), e como pôde ser tornado possível essa atração espiritual. Por exemplo, por um lado, sendo Cristo Jesus a própria Vida, a base da criação de tudo, Deus de Deus, Luz da Luz, verdadeiro Deus de verdadeiro Deus, gerado não feito, de uma só substância com o Pai..., e do outro nós, criaturas finitas, miseráveis pecadores, mortos em delitos e pecados, estando em trevas espirituais..., o que tornou possível essa atração? Irmãos e irmãs, isso é maravilhoso contemplarmos à luz da obra do Calvário. Primeiramente foi devido ao Seu imensurável amor por nós, segundo o Seu eterno propósito; Ele nos amou com um amor eterno e com Sua amorável benignidade nos atraiu. Sim, existe um importante aspecto que devemos mencionar em relação a isso para considerar. Vejam - retomando a ilustração do imã e as limalhas-, permitam-me repetir um detalhe importante para questão de ênfase: Para que o ferro seja atraído ao imã se faz necessário que haja uma imantação desse ferro, ou seja, ele precisa ser transformado em um imã. Digno de nota, como já disse é a seguinte consideração: Por nós mesmos, jamais poderia haver qualquer resposta satisfatória em direção a Cristo, pois o nosso estado era puro antagonismo em relação a Ele. Não poderíamos, por assim dizer, nos tornar semelhantes a Ele por causa do nosso estado miserável em que encontrávamos no pecado e por sermos completamente contrários à Sua natureza. Há muitos que dizem: “Os opostos se atraem”, porém para outros isso é divergente e inadmissível. Sem investigar qual é o argumento correto, o interessante é que em Cristo essa questão é inteiramente sanada em ambos os casos. Por exemplo: Quão diferentes de Cristo somos em nossa natureza adâmica! Mas, com Ele se fez semelhante a nós! Vejam a beleza disso: Como não havia essa possibilidade em nós mesmos de nos tornarmos como Ele, Ele se tornou como nós - mas sem pecado -, para que fosse possível a nossa atração e salvação. “Mas ele respondeu: Os impossíveis dos homens são possíveis para Deus. Porquanto o que fora impossível à lei, no que estava enferma pela carne, isso fez Deus enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e no tocante ao pecado; e, com efeito, condenou Deus, na carne, o pecado.” (Lc 18:27; Rm 8:3) O princípio da homeopatia, criado por Samuel Hahnemann, ilustra bem esse ponto. Esse princípio foi traduzido do latim "Similia Similibus Curentur", que significa: "o semelhante cura o semelhante". Irmãos e irmãs vejam a beleza disso: Deus enviou seu próprio Filho em corpo humano como o nosso - com a exceção de que o nosso é pecador - e destruiu o controle do pecado sobre nós, dando-Se a Si mesmo como sacrifício por nossos pecados. “E do modo por que Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado para que todo o que nele crê tenha a vida eterna. Por isso mesmo, convinha que, em todas as coisas, se tornasse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote nas coisas referentes a Deus e para fazer propiciação pelos pecados do povo.” (Hb 2:14; Jo 3:14-15) Jesus não era um Super-Homem, como muitos imaginam ou sugerem, mas um homem real, sujeito a todas as tentações e provações, Ele foi ‘reconhecido em figura humana’, mas graças a Deus, sem mácula alguma em Seu caráter. Quem era Ele? O justo morrendo pelos injustos. O Amado de Deus Pai, assumindo o lugar de pecadores rebeldes na cruz. O Filho de Deus tornou-se homem para possibilitar que os homens se tornassem filhos de Deus.¹ Aquele que é celestial assumiu a natureza humana, para que aqueles que eram apenas humanos se tornassem celestiais.²  Isto não é maravilhoso? Avançaremos ainda em mais um importante detalhe. Os girassóis da ilustração acima é, igualmente, uma interessante analogia desse argumento. Como já foi dito, eles são atraídos ao sol porque o crescimento do caule dos mesmos responde à ação da luz. Isso é muito interessante em nossa reflexão porque eles são adaptados para captar a maior quantidade possível de energia solar, absorvendo mais luz para fabricar energia. Ora, nós estávamos em trevas espirituais e nem mesmo havia em nossa natureza condição alguma para ‘captar luz’, mas Aquele, “a saber, a verdadeira luz, que, vinda ao mundo, ilumina a todo homem” (Jo 1:9), se manifestou para que vemos através da sua luz. O profeta Isaías havia profetizado que “o povo que está andando na escuridão verá uma grande Luz. Essa Luz vai brilhar e iluminar todos os que vivem na região da sombra da morte.” (Is 9:2)* Em Cristo Jesus essa profecia cumpriu-se literalmente, “Pois Deus, que disse: "Haja luz na escuridão", nos fez compreender que é o brilho da sua glória que se vê no rosto de Jesus Cristo.” (2 Co 4:6) Acerca disso disse o salmista Davi: “Pois Tu és a Fonte da vida; quando somos iluminados com a tua Luz, então podemos ver de verdade.” (Sl 36:9)* Irmãos e irmãs, isso não poderia ter acontecido, digo com reverência, ter sido levado à efeito sem a nossa atração no corpo de Cristo crucificado. Se não fora por intermédio do Cristo atrativo continuaríamos separados de Deus e em trevas espirituais eternamente. Mas vejam a importância disso. “E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo.” (Jo 12:32)    
Cristo Jesus, ao ser crucificado, nos atraiu a Si para que fôssemos salvos através da Sua vida, morte, ressurreição e ascensão. Ele, o Grão de Trigo real foi enviado à terra para que, por Seu sofrimento vicário, justificasse a muitos, conduzindo-os à glória como filhos de Deus. Ele mesmo disse que "Eu devo morrer como um grão de trigo que cai dentro da terra. Se Eu não morrer, ficarei sozinho - uma semente isolada. Porém a minha morte produzirá muitos novos grãos de trigo - uma abundante safra de novas vidas. (Jo 12:24)* Irmãos amados, essas palavras cumprem o que está relatado no profeta Isaías 53. “Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito; o meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniquidades deles levará sobre si.” (Is 53:11)
Vamos considerar na sequência alguns preciosos versos que nos mostram a preciosidade da obra da cruz que o Cristo atrativo realizou por nós.
a)      Cristo Se tornou nosso Substituto perante Deus. “Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito. Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.” (1Pe 3:18; 2Co 5:21)

b)      Morremos para o pecado que nos condenavam e nos separavam de Deus. “sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos; porquanto quem morreu está justificado do pecado. Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida; e não apenas isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, por intermédio de quem recebemos, agora, a reconciliação.” (Rm 6:6,7; 5:9-11)

c)       Fomos sepultados com Ele na morte pelo batismo, consequentemente, as coisas velhas ficaram para trás. “Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida.” (Rm 6:4) A sua morte tornava-se a nossa morte para que recebêssemos a sua vida ressurreta.

d)      Fomos ressuscitados juntamente com Ele, e assim, ‘regenerados’ por Deus. “e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus. Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos.” (Ef 2:6; 1 Pe 1:3)

e)      O resultado dessa união: Foi trazido à existência um Novo Homem corporativo de uma nova criação. “Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação. As coisas antigas já passaram; eis que surgiram coisas novas! Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um; e, tendo derribado a parede da separação que estava no meio, a inimizade, aboliu, na sua carne, a lei dos mandamentos na forma de ordenanças, para que dos dois criasse, em si mesmo, um novo homem, fazendo a paz, e reconciliasse ambos em um só corpo com Deus, por intermédio da cruz, destruindo por ela a inimizade. E, vindo, evangelizou paz a vós outros que estáveis longe e paz também aos que estavam perto; porque, por ele, ambos temos acesso ao Pai em um Espírito. Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor, no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito. (2 Co 5:17;Ef 2:14-22)
Vamos concluir essa reflexão com uma consideração final. Em nossas ilustrações anteriores, vimos que um pedaço de ferro só é atraído por um imã quando, mediante a aplicação de um campo magnético, ocorre o alinhamento de seus imãs elementares. Uma observação interessante e curiosa a esse respeito é que, se o campo magnético do imã for bastante intenso, a orientação dos átomos do ferro permanecerá ordenada mesmo depois que o imã for retirado. Assim, o próprio ferro passa a ter um campo magnético capaz de atrair outros objetos ferrosos. Amados irmãos, guardem esta importante observação por um instante na memória que logo retornaremos a ela e vamos agora, por um pouco, retornar aos girassóis para extrair uma preciosa lição de ambos. Como vimos, a natureza dos girassóis é estarem sempre voltados em direção ao sol enquanto ele estiver ativo. Porém nos dias nublados e chuvosos, quando o sol fica totalmente encoberto pelas nuvens, eles se voltam uns para os outros para dividirem entre si as suas energias. Essas são algumas observações confirmadas por alguns estudiosos de biologia. “O ciclo de um girassol é sempre o mesmo: Todos os dias, despertam e acompanham o Sol como as agulhas de um relógio. À noite, percorrem o sentido contrário para esperar novamente sua saída na manhã do dia seguinte...”³
Talvez os irmãos já tenham alguma noção do que pretendo sugerir com essas observações. Vamos à evidência dos fatos: Assim como, no caso das limalhas de ferro ocorre o alinhamento de seus imãs elementares e, se o campo magnético do imã for bastante intenso, a orientação dos átomos do ferro permanecerá ordenada mesmo depois que o imã for retirado, assim também com respeito à consequência da atração espiritual do Cristo crucificado e ressurreto. Primeiro há o alinhamento dos santos pela atração de Cristo e depois da Sua morte e ressurreição, quando o Senhor foi “retirado” - ascendido ao céu ao completar sua obra redentora -, o Espírito Santo foi enviado à Igreja para mantê-los alinhados, unidos ao Cabeça ressuscitado e glorificado até ao resgate da Sua propriedade, em louvor da Sua glória. Podemos certificar a mesma coisa com respeito aos girassóis: A natureza dos mesmos é estarem sempre voltados em direção ao sol enquanto ele estiver ativo. Porém nos dias nublados e chuvosos, quando o sol fica totalmente encoberto pelas nuvens, eles se voltam uns para os outros para dividirem entre si as suas energias. Sim, mais uma vez: Nosso Senhor Jesus foi morto, ressuscitado ao terceiro dia e após permanecer quarenta dias com os discípulos foi ascenso ao céu, derramando o Seu Espírito para estar completando a boa obra nos Seus santos até ao Seu retorno em glória. Nesse ínterim, os crentes devem estar sob a assistência e direção do Espírito Santo, voltados uns aos outros para dividirem o depósito outorgado por Ele com o fim de serem edificados, crescendo juntos na graça e no conhecimento do Senhor, servindo uns aos outros em amor, olhando firmemente para Jesus, o autor e o consumador da fé... “Como é bom e agradável quando os irmãos vivem em união! Essa união é como o óleo perfumado derramado sobre a cabeça de Arão, escorrendo pela barba, até a bainha da roupa do grande sacerdote. Essa união perfeita é como o orvalho que cai sobre o monte Hermom e desce sobre os montes de Sião. O SENHOR derrama ali suas bênçãos e dá vida eterna.” (Sl 133)* Os santos estarem unidos pelo Espírito Santo ao Cabeça entronizado, vivendo para a glória de Deus Pai, servindo-O e servindo uns aos outros, membros do corpo de Cristo..., cumpre o propósito do Senhor até a Sua volta em glória. “Leva-me após ti, apressemo-nos. O rei me introduziu nas suas recâmaras. Em ti nos regozijaremos e nos alegraremos; do teu amor nos lembraremos, mais do que do vinho; não é sem razão que te amam.” (Ct 1:4) Que o Senhor nos fale ao coração. Amém.  


NOTAS:
¹C.S.Lewis
²Alguém
³Documentário: Ciência e Saúde
*Nova Bíblia Viva

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

A Justificação Pela Fé Somente (Ronald Van Overloop)



Introdução

É meu privilégio poder falar com vocês nesta noite sobre um assunto tão importante.
É objetivamente importante porque este foi o assunto principal da Reforma
Protestante do século XVI, e porque permanece como tal nas igrejas reformadas. E é
subjetivamente importante para todo filho de Deus, porque saber este assunto é
saber como sou justo diante de Deus.
Martinho Lutero sustentou que esta verdade era a diferença entre uma igreja de pé e
uma igreja falida. Se uma igreja defende a verdade da justificação pela fé somente,
então, segundo o julgamento de Lutero, era uma igreja de pé. Se ela não o fizesse,
então ela estava falida. A importância da verdade da justificação pela fé somente é
também evidenciada no fato de que dois credos que surgiram na Reforma, a
Confissão Belga e o Catecismo de Heidelberg, mantiveram e defenderam esta
verdade, e eles o fizeram através dos termos mais precisos, poderosos e
reconfortantes possíveis².
A importância dessa verdade também pode ser vista no tipo de atenção que Satanás
dá a ela. Ao longo da história da igreja, Satanás tem atacado a verdade da
justificação pela fé somente. Alguns de seus ataques mais enganosos têm sido e
são feitos quando ele distorce a linguagem, usando as palavras "justificação pela
fé", mas fazendo elas significarem algo diferente. Na maioria das vezes, Satanás
ataca o uso da palavra "somente". Aqueles que identificam sua posição como "Visão
Federal" estão atacando esta verdade fundamental e preciosa, o fazendo da maneira
mais enganosa possível. Eles falam sobre o fato de que a justificação é pela fé e
pela graça, mas eles acrescentam que a justificação não é apenas pela fé, mas
também pelas obras que fluem da fé. O resultado é que a justificação não é pela fé
somente!
E a importância da verdade da justificação pela fé somente é experimentada. Foi
assim na vida de Martinho Lutero. E todo crente tem momentos em que ele se
pergunta como pode comparecer diante do Deus santo, cujos olhos não
contemplarão a iniquidade. Todo crente tem consciência de seus pecados e da
2 Catecismo de Heidelberg, Q&R. 23, 24, 51 e Confissão Belga, Art. 2224.
presença da grande maldade dentro de si. Nós nos perguntamos: quando o grande
dia do julgamento vier, como saberei que eu poderei comparecer àquele tribunal
sem terror? Ali, tudo que eu fiz, disse e pensei, será exposto. Como posso ansiar por
esse dia com um confortável senso do favor de Deus? Como posso ter essa certeza
quando a minha consciência me acusa que eu terrivelmente tenho transgredido
todos os mandamentos de Deus? Como posso ter essa certeza quando outros
apontam os meus erros? Como posso comparecer diante de Deus? Por que Ele me
recebe? A resposta a estas profundas perguntas é encontrada apenas na verdade
da justificação pela fé somente. No que diz respeito a experiência de cada filho de
Deus, esta verdade é o coração do Evangelho.
O Que é a Justificação?
O que é a justificação? Herman Hoeksema a definiu como um ato da graça de Deus,
no qual Ele imputa credita
na conta legal de
quem é culpado e condenado no
entanto eleito, Sua perfeita justiça em Cristo, absolvendoo
de toda a sua culpa e
punição com base no mérito da obra de Cristo, e dando a este pecador o direito à
vida eterna. A justificação é uma parte da salvação do pecado através de Cristo, uma
vez que Deus aplica a salvação a cada um de Seus eleitos.
Nossos credos falam da justificação da mesma forma. Tanto a Confissão Belga
quanto o Catecismo de Heidelberg descrevem a justificação como uma obra de
Deus na vida de um crente. A Escritura declara:
"Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o
amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito. Pois
aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem
conformes à imagem de seu Filho, a fim de que Ele seja o primogênito
entre muitos irmãos. E aos que predestinou, também chamou; aos que
chamou, também justificou; aos que justificou, também glorificou" Rm
8:2830.
Esta passagem fala da justificação como uma obra de Deus Sua
declaração legal
na consciência do pecador eleito, chamado, que teme a Deus. Quando falarmos da
justificação nesta noite, vamos estar falando desta como uma parte da obra de Deus
de salvar todo o pecador que é eleito, dando a ele a salvação do pecado através de
Cristo. A justificação é Deus declarando à consciência de Seus filhos regenerados e
chamados, que eles são perdoados e justos.
7
Deus por meio de Seu Espírito fala à consciência do pecador humilhado e
quebrantado, sobre o Seu ato de mudar a posição legal dele perante Deus, o Juiz,
de um estado de culpa para um estado de inocência. Deus fala com o pecador
arrependido, sobre Sua obra de têlo
justificado em Cristo. A parábola de Jesus
sobre o fariseu e o publicano conclui com o publicano indo "para casa justificado"
(Cf. Lc 18:1014).
O fariseu e o publicano foram ao templo para orar. O fariseu, em
pé, orava no íntimo: "Deus, eu Te agradeço porque não sou como os outros
homens". O publicano encontrou um lugar em um canto distante e ali humildemente
implorava por misericórdia piedade
imerecida de Deus a um pecador miserável.
Deus falou na consciência daquele quebrantado e humilde pecador, dando a ele
uma consciência de que Deus tinha feito algo por ele. O humilde pecador saiu do
templo justificado, regozijandose
no conhecimento e na garantia da sua justificação.
A justificação é o humilde pecador ouvir Deus declarar que o seu estado jurídico
perante o santo e justo Juiz foi mudado de um estado de culpa para um estado de
inocência. Acreditando no que Deus havia falado por meio de Seu Espírito à sua
consciência, o publicano voltou para casa já não mais batendo no peito como fez no
templo, mas feliz com a bemaventurança
da justificação.
Embora a declaração de Deus da justificação de Seus filhos eleitos tenha
acontecido uma vez na cruz de Cristo, ainda assim a justificação que acontece na
consciência de Seus filhos ocorre repetidamente. Toda vez que o pecador se
arrepende, Deus dá ao humilhado pecador o conhecimento de que todos os seus
pecados e sua maldade são perdoados em nome de Jesus. Mas por que os filhos do
Pai celestial são ensinados a orar repetidamente: "perdoa as nossas dívidas, assim
como perdoamos aos nossos devedores"? Para responder a esta pergunta os
nossos pais espirituais usaram a linguagem da justificação no Catecismo de
Heidelberg:
"Contentese
por causa do sangue de Cristo por não imputar a nós,
pobres pecadores, nossas transgressões, nem a depravação a qual está
sempre cravada em nós"3.
Toda vez que oramos na quinta petição da oração do Senhor, estamos pedindo a
nosso Pai no céu para nos justificar, ou seja, para não imputar a nós os nossos
pecados e a maldade que existe dentro de nós. A justificação é repetida, não porque
o ato de Deus da justificação é imperfeito, mas porque o pecador repetidamente
peca e precisa ser relembrado, repetidas vezes, que seus pecados não são
imputados a ele.
Há dois elementos principais na declaração de Deus da justificação de um pecador
3 Catecismo de Heidelberg, R. 126.
8
eleito. O primeiro é negativo e o outro é positivo. O primeiro elemento da justificação
é que Deus informa ao eleito ímpio que ele está perdoado, libertandoo
de toda a
culpa e vergonha por seus pecados. O pecador sabe que ele é apenas digno da
condenação e sua consciência o condena (Cf. Lc 18:13). Mas Deus declara que ele
é perdoado perfeitamente
inocente. Ouça o Catecismo de Heidelberg:
"Ainda que a minha consciência me acuse de ter transgredido gravemente
todos os mandamentos de Deus, e não ter guardado nenhum deles, e
ainda ser inclinado a todo o mal, todavia, Deus me dá, sem nenhum mérito
meu, mas apenas por pura graça, a perfeita satisfação, a justiça e a
santidade de Cristo; como se eu nunca tivesse tido nem cometido pecado
algum"4.
Deus perdoa. Ele tira tanto a minha condenação, quanto a pena que eu mereço, a
vergonha que vem com a pena, e a consciência da culpa que levou o publicano a
bater no peito no canto mais distante do templo. Deus declara que o nosso pecado
se foi. Ele declara que, em seu julgamento já não somos mais dignos de sermos
condenados. Um pecador justificado seria condenado pelo quê? Seu pecado se foi.
Há muito tempo, um professor de catecismo me ensinou que ser justificado significa
que é "simplesmente como se eu nunca tivesse pecado". O Catecismo de
Heidelberg diz: "Como se eu nunca tivesse tido nem cometido pecado algum".
O segundo elemento da justificação é Deus declarando à consciência do pecador
eleito que ele é justo. Simplificando, ser justo é estar certo aos olhos de Deus,
porque a lei de Deus foi perfeitamente cumprida. Deus declara que em Cristo, o
pecador temente a Deus tem cumprido a Sua lei (Cf. Rm 5:19). Não importa o que
meus olhos veem ou o que os outros dizem que veem em mim. Justiça, significa que
Deus declara que o que eu tenho feito é certo. Novamente, o Catecismo de
Heidelberg coloca isto muito bem: "Como se pessoalmente eu tivesse cumprido toda
a obediência que Cristo cumpriu por mim"5. Esta é a realidade desse segundo
elemento da justificação que torna a simples definição de justificação (simplesmente
como se eu nunca tivesse pecado) simplista, porque não fala de justiça. Justificação
significa que Deus declara alguém justo. Esta é uma justiça real. Deus, o juiz perfeito
declara o pecador eleito, regenerado e chamado, justo. O pecador justificado é
ciente de que ele é digno de ser condenado à condenação eterna, mas Deus, por
Sua própria boa vontade, por pura graça, por amor a Cristo, declara que este
pecador é perfeitamente justo, e, portanto, digno da amizade íntima com Deus, tanto
agora quanto na eternidade no céu. A presente relação com Deus é que o justificado
é um filho de Deus, graciosamente adotado em Sua família. E ele é um herdeiro da
4 Ibid, R. 60.
5 Ibid, R. 60.
9
vida eterna. Os filhos são herdeiros, coerdeiros com Cristo da vida eterna com Deus
(Cf. Rm 8:17).
É preciso dizer mais uma coisa sobre a justiça de Deus que é creditada ao
justificado. Ela é Deus declarando alguém justo por meio da imputação. Não é Deus
fazendoo
justo por meio da infusão ou renovação. Esta última é a santificação, que
sempre sucede a justificação. A justiça que é nossa na justificação, é algo que Deus,
como o juiz, declara ser nossa legalmente, por meio da imputação. A justiça que
Deus dá ao pecador é apenas a justiça de Jesus. Nós não temos nenhuma justiça. E
essa justiça não é nada menos do que a justiça de Deus.
"Portanto, ninguém será declarado justo diante dele baseandose
na
obediência à lei, pois é mediante a lei que nos tornamos plenamente
conscientes do pecado. Mas agora se manifestou uma justiça que provém
de Deus, independente da lei, da qual testemunham a Lei e os Profetas,
justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo para todos os que creem" Rm
3:2022.
É a justiça de Deus a
Sua própria justiça. A própria justiça perfeita de Deus é
creditada em nossa conta por causa da perfeita obra de Jesus Cristo.
Jesus obteve esta justiça absolutamente perfeita. Ele fez isso por meio de Sua
perfeita obediência à lei de Deus e o Seu sofrimento de toda a pena por nossos
pecados. Em Sua vida e sofrimento, Jesus foi feito pecado por nós. Ele foi contado
entre os pecadores. Nossos pecados foram imputados a Ele, portanto Ele carregou
todos os nossos pecados e toda a nossa maldade. Ele veio à semelhança da nossa
carne pecaminosa, a fim de suportar a ira de Deus por todos os nossos pecados.
Romanos 4:25 declara que Ele foi entregue à morte por causa de, por conta de,
nossas ofensas. Sua obra de suportar a ira de Deus foi uma obra perfeita, realizada
por causa de uma terna obediência a Deus. Esta obra mereceu o perdão e a justiça.
Ele pagou integralmente a nossa dívida e adquiriu para nós uma justiça tão perfeita
que Deus teve que ressuscitáLo
dos mortos. Jesus já não estava mais sob o poder
da morte e da sepultura. Toda a nossa maldade e todos os nossos pecados foram
perdoados (Cf. 2 Co 5:21; Is 53:111)
Mesmo quando Jesus foi entregue à morte por causa de nossos pecados, Ele foi
ressuscitado dentre os mortos por causa da nossa justiça. Sua ressurreição é a
prova de que Ele pagou integralmente por todos os nossos pecados. Quando vemos
o túmulo vazio, então o Espírito nos comunica a verdade do perdão pleno
e gratuito
Nossa consciência pode dizer o contrário. Ela pode querer que olhemos para todos
os nossos pecados e fixemos nossos olhos no esgoto espiritual da maldade de onde
10
todos os nossos pecados vêm. Isso nos faria duvidar da nossa salvação. Mas o
Evangelho aponta para a cruz e para a ressurreição de Jesus Cristo. Seu túmulo
está vazio. Ele pagou tudo. Nós somos justificados. Somos justos.
Como a Justificação é Nossa?
Como a justificação é nossa? Como sabemos que somos justos? Como Deus nos
comunica isso? Como podemos experimentála?
Pela fé somente! A fé é o meio ou o
instrumento pelo qual Deus imputa ao pecador culpado a justiça de Jesus Cristo. E a
fé é o meio ou instrumento pelo qual o pecador culpado sabe e desfruta praticamente
a sua inocência e paz com Deus.
O Catecismo de Heidelberg apresenta o tema da justificação depois de tratar sobre o
que se deve crer. Ele chega à verdade da justificação com esta pergunta: Mas que
proveito você tem em crer em todas as verdades expressas no Credo Apostólico?
Sua bela resposta é: "Que eu sou justo em Cristo, perante Deus". A questão não é
se eu sou justo perante outros homens. Eles terão grandes dificuldades para
acreditar que eu sou justo. Eles, assim como a minha consciência, veem que eu
ainda peco, que eu ainda faço coisas erradas. Mas Deus diz: "Você é justo perante
Mim, e você é tão justo que é um herdeiro da vida eterna".
A fé é o dom de Deus para o pecador regenerado e chamado, pelo qual o pecador é
enxertado em Cristo e pelo qual ele abraça e se apropria de Cristo e de todos os
Seus benefícios, confiando n'Ele. A fé abraça a declaração do juízo divino. A fé toma
posse do perdão em Cristo e da justiça de Cristo.
A fé é o instrumento mais adequado para nos dar o conhecimento de nossa
justificação. Isto é assim porque a fé é uma crença e não uma obra. Dizer "fé" é dizer
"não obra". A fé é o oposto de obras. A fé é um dom de Deus, não de obras, para que
ninguém se glorie (Ef 2:89).
A fé é o vínculo que une uma pessoa a Cristo. Deus
objetivamente une todos os eleitos a Cristo na eleição. No momento em que Deus
regenera os eleitos, Ele objetivamente nos enxerta, por meio da fé, em Cristo. Este é
o poder da fé. Este poder da fé se torna ativo, de modo que aqueles que estão
objetivamente enxertados em Cristo, subjetivamente se mantêm n'Ele. Eles O
abraçam, ou "permanecem n'Ele", assim como Jesus disse em João 15. A fé
conhece e confia em Cristo, para a justiça. Ela abraça Jesus Cristo como Ele é
proclamado no Evangelho. Nós confiamos n'Aquele em quem cremos. Eu sei em
quem tenho crido e estou certo de que Ele é capaz de tirar o meu pecado, pagar por
ele e adquirir a justiça a qual Ele credita em minha conta. A fé simplesmente crê 11
permanecendo na verdade que Deus revelou em Sua Palavra.
Então, como sou justo aos olhos do Deus perfeitamente santo? Esta é a pergunta
que arde em cada pecador culpado. Esta era a ardente pergunta de Lutero. Se os
serafins de Isaías 6 foram obrigados a esconder a si mesmos e seus rostos diante do
Deus três vezes santo, então como eu posso comparecer perante Ele? A fé diz:
"Eu compareço perante Ele, não com base no que vejo, mas com base no
que Deus tem me ensinado em Sua Palavra. A Bíblia me diz que, quando
Jesus morreu, Ele morreu pelo pecado. E quando Ele viveu, realizando
perfeitamente a vontade do Pai, Ele adquiriu para aqueles a quem Ele
representava, uma justiça perfeita. Deus, por amor a Jesus, credita esta
justiça em minha conta. Deus me permite comparecer diante d'Ele nesta
justiça".
A fé exclui obras. Repetidas vezes a Escritura declara que a salvação é pela graça
somente por meio da fé sem obras de homens.
"Portanto, a promessa vem pela fé, para que seja de acordo com a graça".
"Portanto, ninguém será declarado justo diante dele baseandose
na
obediência à lei"; "pois todos pecaram e estão destituídos da glória de
Deus, sendo justificados gratuitamente por sua graça, por meio da
redenção que há em Cristo Jesus" "pois sustentamos que o homem é
justificado pela fé, independente da obediência à lei" Rm
4:16, 3:20,
2324,
28.
Para aquele que trabalha há uma recompensa, mas não é uma recompensa da
graça, é uma recompensa de dívida (Cf. Rm 4:4). "Todavia, àquele que não trabalha,
mas confia em Deus que justifica o ímpio, sua fé lhe é creditada como justiça" Rm
4:5. A fé crê n'Aquele que justifica o ímpio pois "Cristo morreu pelos ímpios", os
quais não têm nenhuma força para fazer algo bom (Rm 5:6). O ímpio não faz nada
que mereça algo bom de Deus. E Gálatas 2:16 coloca isso desta maneira:
"Sabemos que ninguém é justificado pela prática da lei, mas mediante a fé
em Jesus Cristo. Assim, nós também cremos em Cristo Jesus para sermos
justificados pela fé em Cristo, e não pela prática da lei, porque pela prática
da lei ninguém será justificado".
A fé é um dom de Deus, e não uma obra do homem. Há muitos que falam da
justificação pela fé, mas eles fazem a fé ser uma obra do homem. Mas a Bíblia e as
nossas confissões reformadas condenam tal pensamento.
12
"Por que você diz que é justo somente pela fé? Eu o digo não porque sou
agradável a Deus graças ao valor da minha fé, mas porque somente a
satisfação por Cristo e a justiça e santidade d'Ele me justificam perante
Deus. Somente pela fé posso aceitar e possuir esta justificação"6.
A fé não é a justiça, ela é apenas o meio pelo qual Deus concede Sua justiça a Seu
povo. A fé não é uma obra do homem, mas um dom de Deus. Portanto, nós nunca
podemos pensar que a fé faz alguém digno ou tenha algum mérito perante Deus.
Deus assim efetua em nós tanto o querer quanto o realizar de Sua boa vontade (Fp
2:13), de modo que quando acreditamos, ainda assim é uma obra de Deus e não
nossa. As obras humanas não têm parte alguma na nossa justificação perante Deus.
As boas obras fluem da nossa salvação, mas de nenhuma maneira elas adquirem a
salvação ou nos tornam justos perante Deus.
"Mas por que as nossas boas obras não podem nos justificar perante
Deus, pelo menos em parte? Porque a justiça que pode subsistir perante o
juízo de Deus deve ser absolutamente perfeita e completamente conforme
a lei de Deus. Entretanto, nesta vida, todas as nossas obras, até as
melhores, são imperfeitas e manchadas por pecados"7. "Nossas boas
obras, então, não têm mérito? Deus não promete recompensálas,
nesta
vida e na futura?" Sim, as nossas boas obras recebem uma recompensa,
mas "essa recompensa não nos é dada por mérito, mas por graça"8.
É tudo graça. As boas obras que fluem da nossa salvação, as quais Deus
recompensará, não tem parte alguma na nossa justiça. Quando comparecemos
perante Deus, agora e no dia do julgamento, jamais podemos imaginar que é por
causa de algo que fizemos. Nós de fato comparecemos diante de Deus em justiça,
mas é tudo graça, mediante a fé, sem nenhuma obra humana.
Justamente porque a fé une a Cristo, nós desviamos o olhar de nós mesmos para
olhar para Ele. Não podemos adicionar nada à sua obra perfeita. A fé em Cristo
declara que tudo é d'Ele e nada de nós. Se nossas obras pudessem acrescentar ou
colaborar para nossa salvação, então os nossos pecados a diminuiriam. Nós somos
justos perante Deus somente porque Ele graciosamente justifica. Ele faz a
imputação e a declaração de julgamento. Nós não temos como adquirila
e nem
perdêla.
Nós somos justificados pela fé sem as obras. Portanto, podemos ter paz
com Deus!
6 Ibid, Q&R. 61.
7 Ibid, Q&R. 62.
8 Ibid, Q&R. 63.
13
Paz com Deus
Pelo fato da justificação ser pela graça somente e por meio da fé somente, há paz
com Deus (Cf. Rm 5:1). Não é apenas paz, mas uma maravilhosa paz com Deus.
Entre Deus e nós há um consenso fundamental e subsequente boa vontade.
Esta paz não é algo que eu vou ter ou posso ter, mas é algo que eu tenho agora. A
presente posse desta abençoada paz é experimentada quando nos lembramos que
somos justificados pela fé somente, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. Se
apenas considerássemos o nosso pecado, então perderíamos o senso da paz com
Deus. O diabo gosta de que estejamos concentrados em nosso pecado. Ele usa a
nossa consciência e outras pessoas para apontar nossos pecados e nossa maldade.
Ele quer que pensemos que não somos bons o bastante. Ele quer que nos
comparemos com os outros, porque isso sempre nos leva a considerar as nossas
obras. Ele só quer que desviemos nossos olhos da cruz de Cristo. O diabo gosta de
nos conscientizar da culpa de modo que não consigamos encontrar nenhuma saída,
mas que continuemos culpados e condenados. Ao contrário do diabo, Deus quer
que Seus filhos experimentem a culpa, mas apenas aquela que nos afasta do mérito
das obras para nos achegar ao mérito da cruz de Cristo. Pois a culpa de Deus é a
porta pela qual temos de passar a fim de nos conscientizarmos da justificação.
Nós somos justificados pela fé, através de nosso Senhor Jesus Cristo. Temos de
olhar para Ele, e continuar olhando para Ele. Sua perfeita obra é a única coisa que
pode merecer o pleno perdão e a perfeita justiça. A fé na Sua cruz e Sua
ressurreição nos assegura da justificação. E este perdão e justiça são tão reais que
ninguém pode ou poderá ter alguma acusação contra nós.
"Que diremos, pois, diante dessas coisas? Se Deus é por nós, quem será
contra nós? Aquele que não poupou a seu próprio Filho, mas o entregou
por todos nós, como não nos dará juntamente com ele, e de graça, todas
as coisas? Quem fará alguma acusação contra os escolhidos de Deus? É
Deus quem os justifica" Rm
8:3133.
Se não somos justificados, então estamos condenados. E o apóstolo continua assim:
"Quem os condenará? Foi Cristo Jesus que morreu; e mais, que
ressuscitou e está à direita de Deus, e também intercede por nós" Rm
8:34.
14
Deus nos faz olhar para a obra de Cristo para nos assegurar da libertação da
condenação e da posse da justificação. "Quem os condenará? Foi Cristo Jesus que
morreu". Cristo, nosso representante, morreu por nós. Porém há mais: "Ele
ressuscitou". Lembrese
que nós já aprendemos em Romanos 4:25 que Jesus
ressuscitou para nossa justificação. E fica ainda melhor: "Ele está à direita de Deus,
e também intercede por nós". À direita de Deus, Jesus intercede por nós, pedindo as
riquezas dos méritos de Sua cruz, para que Deus nos declare justificados. Não há
nada que possa nos separar do amor de Deus e da nossa justiça em Cristo. E é por
isso que temos paz com Deus!
O perdão e a justiça são nossos, segundo as riquezas da graça de Deus (Cf. Ef 1:7).
Não são de acordo com a medida do nosso arrependimento, nem com o exercício da
nossa fé. O perdão de Deus é segundo a riqueza da sua graça. Sua graça é o único
padrão. A fé sabe que somos filhos de Deus por adoção, possuindo todos os direitos
de filhos, incluindo uma herança eterna. E a fé sabe que a nossa justiça nunca pode
ser perdida e que somos herdeiros da vida eterna. Estando em Sua graça nós nos
gloriamos na esperança da glória de Deus (Cf. Rm 5:2).
Paz com Deus é a capacidade de se alegrar. Regozijamonos
de que não somos de
nós mesmos, mas pertencemos ao nosso fiel Salvador, na vida e na morte. Nós
nunca precisamos ser atormentados pelo pensamento de que não correspondemos
ou não somos bons o bastante. Ao invés disso, temos confiança em nos
aproximarmos de Deus, com nossa consciência livre "do medo, terror e pavor"9. A
única aceitação que importa é a de Deus, e nós somos "aceitos no Amado" (Ef 1:6).
No momento que Deus ama Seu Filho amado, ali podemos saber que somos aceitos
por Deus e amados por causa do nome de Jesus.
Portanto, creia no Senhor Jesus Cristo. Isso era tudo o que Paulo tinha a dizer em
resposta ao carcereiro de Filipos (Cf. At 16:31). Exercite sua fé dada por Deus para
se manter firme em Cristo e em Sua obra perfeita. Permaneça n'Ele. Perceba quão
plenamente perdoado e perfeitamente justo você é. Esta é a paz que excede todo o
entendimento.
Portanto, oh pecador, vá para casa justificado!



https://www.youtube.com/watch?v=C9n36YxI4Ws

sexta-feira, 30 de junho de 2017

NÃO ANDEIS PREOCUPADOS (Levi Cândido)


               



“...Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino, faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia dá-nos hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal [pois teu é o Reino, o Poder e a Glória para sempre. Amém]. (Mateus 6:9b – 13)

Mui provavelmente, os irmãos que me ouvem e aqueles que lerem este artigo, já recitaram vezes sem conta a oração acima. Embora muitos até mesmo já a tenham em mente, entretanto, não desfrutam da graça confortadora providenciada pelo Senhor e que se encontra revelada nesta oração. Inicialmente gostaria de considerar com os meus irmãos e irmãs sobre o relacionamento íntimo existente nesta oração, expressa logo no início, pela declaração “Pai nosso...”

Creio que se faz necessário o reconhecimento do sentido exato desta expressão; pois trata-se de algo à nível revelacional: relação familiar espiritual efetivada através de Jesus Cristo. Observemos de antemão que a oração é direcionada primeiramente ao Filho pelo Pai, sendo compartilhada com Seus irmãos e retornando ao Pai através da intercessão do Espírito. (Rm 8:26) Notemos então a ordem cronológica da oração: Primeiramente vem do Pai ao Filho, do Filho aos irmãos, e dos irmãos ao Pai pelo mesmo Espírito. Foi o Pai quem conduziu esta oração ao coração do Seu Filho a fim de que Ele pudesse compartilhar com a Sua Igreja. Disse-nos Cristo: “Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer.” (Jo 15:15)

Em Cristo encontra-se toda a plenitude da divindade, e temos nEle a plenitude . Todas as nossas fontes são nEle. (Sl 87:7) Mas alguém poderá objetar: “Mas primeiro partiu dos discípulos a petição; “...Senhor, ensina-nos a orar, como também João ensinou aos seus discípulos.” (Lc 11:1) Na verdade, esta petição foi “oração respondida” por Jesus, pois vemos no verso seguinte: “Então ele os ensinou.” (Lc 11:2ª ) “Tudo o que Deus faz, ele sempre teve o propósito de fazer.”(1) Disto podemos concluir: Toda oração verdadeira e eficaz é aquela que está em conformidade com a vontade de Deus revelada, tem Cristo como medianeiro e sua eficácia pelo Espírito Santo. “E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve.” (I Jo 5:14) “A oração verdadeira é uma necessidade sentida e despertada em nós pelo Espírito, portanto pedimos a Deus em nome de Cristo, aquilo que está de conformidade com a Sua Santa Vontade”(2)

Assim, “a oração nada mais é que um ato do crente operando juntamente com Deus. É a união do pensamento do crente com a Vontade de Deus.”(3) Ora, se pedimos alguma coisa que não esteja de acordo com a Vontade de Deus, isto deve ser considerado presunção, não oração. A expressão “Pai nosso..”, denota relação familiar espiritual, portanto, somente os regenerados podem desfrutar da graça confortadora providenciada pelo Pai e que encontra-se expressa nesta oração. Sob este enfoque é mister considerarmos os benefícios que o Senhor deseja que Seus santos desfrutem, pois, “o rio do Seu amor não tem margem nem fundo”. Os salvos em Cristo são filhos do Aba. Os propósitos do Pai sempre contam com a sua própria provisão.

Ele é a Fonte donde procede toda a graça proveniente para os suprimentos dos Seus filhos. “Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário? Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas? E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura? E, quanto ao vestuário, por que andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam; E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pouca fé?

Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos? (Porque todas estas coisas os gentios procuram). De certo vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas; Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.” (Mt 6:25-34) A razão para não ficarmos preocupados, ou ficarmos livres das preocupações, é pelo fato de que agora, através de Cristo Jesus somos filhos do Aba e é Ele quem cuida de nós. “A ansiedade nunca fortalece você para o amanhã; ela apenas o enfraquece para o dia de hoje.”(4) “Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.” (I Pe 5:7) Irmãos e irmãs, se vocês estão preocupados com alguma coisa, olhem firmemente para o Senhor, pois, “nem uma gota de chuva cai em vão”(5) Ele tem em Sua contabilidade até mesmo nossos fios de cabelo. Está escrito: “E até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados.” (Mt 10:30)

Quando fixo os olhos em mim, fico deprimido; quando fixo às pessoas, fico decepcionado; quando fixo às circunstâncias, fico desanimado; mas...quando fixo em Jesus, fico descansado. “Olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus..” (Hb 12:2) Alguém já disse: “Nossos grandes problemas são pequenos demais para o infinito poder de Deus, mas nossos pequenos problemas são grandes demais para o seu eterno amor.” Não obstante as aflições e adversidades cá na terra, “nosso Deus é soberano, Ele reina antes da fundação do mundo”, Ele tem tudo ao Seu dispor. “Seja a vossa moderação conhecida de todos os homens. Perto está o SENHOR. Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus.” (Fp 4:5-7) Decorre disto algo sumamente importante e que devemos atentar, algo que traz grande consolo, segurança, paz e esperança, quando entendido corretamente e recebido em nossos afetos: na oração ensinada por Jesus, aprendemos a invocar ao Senhor: “Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino, faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu..” O que Paulo disse acima (Fp 4:5-7) é muito significativo. Este Deus soberano que agora é nosso Pai, não encontra-se ausente e distante, mas “Perto está o Senhor.” (v.5b) O Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo agora também é nosso Deus e Pai, pois recebemos o “Espírito de Seu Filho que clama: Aba, Pai.” (Gl 4:6) O Seu nome é santificado entre os Seus filhos; Ele é o Deus Todo-Poderoso, o Deus de toda graça, de toda consolação, de toda esperança, de toda provisão. Ele é o Deus soberano, eterno, imutável, Onisciente, Onipresente e Onipotente. Ele é o Espírito Eterno, que está em todo lugar (Onipresente), que tudo sabe (Onisciente) e que tudo pode (Onipotente). Eis o motivo para não andarmos preocupados. “Não há nada que esteja além do olho de Deus.

Qualquer pessoa pode contar as sementes de uma maçã, mas só Deus pode contar todas as maçãs que brotarão de uma semente.”(7) Se compararmos o verso 10 do capítulo 6 de São Mateus, com Salmo 115:3, veremos a perfeita unidade em relação à vontade de Deus com Seus filhos. Assim lemos: “venha o teu reino, faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu...No céu está o nosso Deus; e tudo faz como lhe agrada.” “O Senhor é Rei! Quem, pois, ousará resistir à sua vontade, desconfiar do seu cuidado, murmurar contra seus sábios decretos ou duvidar de suas promessas de Rei?”(6) O que devemos de fato é reconhecê-Lo em nossos caminhos e entregarmos a nossa vida à Sua soberania. Certa reflexão foi assim expressa: “Não há nenhuma decepção para aqueles cujos desejos estão sepultados na vontade de Deus.”(7)

E, com muita sabedoria George Muller também declarou: “O começo da ansiedade é o fim da fé; e o começo da verdadeira fé é o fim da ansiedade” Lemos em Salmo 62:5-8 o seguinte: “Ó minha alma, espera somente em Deus, porque dele vem a minha esperança. Só ele é a minha rocha e a minha salvação; é a minha defesa; não serei abalado. Em Deus está a minha salvação e a minha glória; a rocha da minha fortaleza, e o meu refúgio estão em Deus. Confiai nele, ó povo, em todos os tempos; derramai perante ele o vosso coração. Deus é o nosso refúgio. (Selá.)” “Enquanto o desespero é a declaração da falência de um Deus Todo-Poderoso”, “é impossível que entre em desespero o homem que se lembra que seu Senhor é o Deus Onipotente.”(7)

“Confia no SENHOR de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas.” (Pv 3:5-6) “Perseverar no meio das lutas, das decepcões, das necessidades, das angústias do coração, reconhecendo que tudo está no controle de Deus; nas mãos daquele que é sábio demais para errar e demais amoroso para ser cruel” traz quietude. “E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.” (Rm 8:28-29) Certa vez Watchman Nee proferiu uma pequena oração que é uma grande oração: Ò Deus (dizia ele), Tu não erras jamais. Ao enviar-nos provações, Aba tem um propósito definido: Conformar-nos à imagem de Seu Filho.

Portanto, “pare de atormentar-se com qualquer coisa sobre a qual não pode exercer controle. Guarde o seu coração com toda a diligência e Deus cuidará do universo”(7) C.H. Spurgeon disse: “Não há nenhuma necessidade que não possa ser suprida por Jesus; não há vazio no coração que Cristo não possa encher; não há um ermo que Ele não possa povoar; não há deserto que Ele não possa fazer florescer como a rosa.”

Há uma certa meditação que diz que uma determinada embarcação saiu para o mar, e logo sobreveio uma forte tempestade, balanceando fortemente o navio, deixando a tripulação mui preocupada rumo ao desespero. Porém naquele estado de agitação, uma determinada senhora notou que, a despeito da inquietação quase generalizada dos tripulantes, havia uma menina calmamente deitada numa rede, aproveitando os impulsos do navio, usufruindo-se da boa sensação de descanso. A mulher inconformada dirigiu-se até à menina e questionou: “Menina! Você não percebe que estamos a ponto de naufragarmos e você está aí comportando-se indiferentemente com esta situação?” A menina firmemente respondeu: “É porque eu sei quem está no controle do navio: meu pai!”

NÃO ANDEIS PREOCUPADOS; ABA ESTÁ NO CONTROLE.
_______________________________________________________________________________
(1)Augustus H. Strong ; (2). A. W. Pink ; (3).Watchman Nee ; (4).J. Blanchard ; (5).John Trapp ; (6).Josiah Condor ; (7).Alguém


Por: Levi Cândido

CRISTO É A NOSSA SUFICIÊNCIA - Levi Cândido




“Mas vós sois dele (de Deus), em Cristo Jesus, o qual (Cristo Jesus) se nos tornou da parte de Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção” (I Co 1:30)



Cristo é a suficiência de Deus para a nossa completa deficiência. Stanley Jones já disse que “Cristianismo é Cristo, e Cristo é a revelação final e absoluta de Deus”. Podemos contemplar em nosso texto meditativo quatro bênçãos específicas que Cristo é para o Seu povo.

1º SABEDORIA. Existem, biblicamente, dois tipos de sabedoria: a humana (animal e diabólica) e a celestial (a sabedoria do alto). Concernente à sabedoria humana em contraste com a divina, podemos ler em Tiago 3:13-18 o seguinte: “Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom trato as suas obras em mansidão de sabedoria. Mas, se tendes amarga inveja, e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade. Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica. Porque onde há inveja e espírito faccioso aí há perturbação e toda a obra perversa. Mas a sabedoria que do alto vem é, primeiramente pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia. Ora, o fruto da justiça semeia-se na paz, para os que exercitam a paz.”

A sabedoria mundana está divorciada da vontade divina. O veredicto de Deus para tal sabedoria está expressamente registrado nas Sagradas Escrituras. “Ninguém se engane a si mesmo: se alguém dentre vós se tem por sábio neste século, faça-se estulto para se tornar sábio. Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; pois está escrito: Ele apanha os sábios na sua própria astúcia. E outra vez: O Senhor conhece os pensamentos dos sábios, que são vãos.” (I Co 3:18-20) Alguém já disse que “você pode pegar um tolo e educá-lo, mas tudo o que consegue obter com seus esforços é um tolo educado! Adolf Hitler vivia cercado de homens bem instruídos — vários deles tinham diplomas em cursos avançados — mas a história provou que todos eles juntos não possuíam senso comum suficiente para se igualar a um idiota mediano! Grande conhecimento sem a necessária sabedoria para usá-lo apropriadamente é uma maldição, não uma vantagem. A sabedoria humana deriva conclusões sem levar Deus em conta e, portanto, está condenada à eventual exposição como uma total inutilidade na melhor das hipóteses, e destrutiva, na pior.” Não é o que o homem julga sobre a sabedoria humana que a valida; é o que Deus atribui a ela. O pregador do Reino Unido Dr. Martyn Lloyd-Jones (20/12/1899 – 01/03/1981) disse com muita propriedade: “Certamente a essência da sabedoria está em, antes de começarmos a agir ou de tentar agradar a Deus, descobrir o que Deus tem a dizer sobre o assunto.” “Porque está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, E aniquilarei a inteligência dos inteligentes. Onde está o sábio? Onde está o escriba? Onde está o inquiridor deste século? Porventura não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo? Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação.” (I Co 1:19-21) Somos admoestados repetidas vezes pelo SENHOR a buscar a verdadeira sabedoria. Vejamos o que diz o Pregador: “E apliquei o meu coração a esquadrinhar, e a informar-me com sabedoria de tudo quanto sucede debaixo do céu; esta enfadonha ocupação deu Deus aos filhos dos homens, para nela os exercitar. Atentei para todas as obras que se fazem debaixo do sol, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito. Aquilo que é torto não se pode endireitar; aquilo que falta não se pode calcular. Falei eu com o meu coração, dizendo: Eis que eu me engrandeci, e sobrepujei em sabedoria a todos os que houve antes de mim em Jerusalém; e o meu coração contemplou abundantemente a sabedoria e o conhecimento. E apliquei o meu coração a conhecer a sabedoria e a conhecer os desvarios e as loucuras, e vim a saber que também isto era aflição de espírito.” (Ec 1:13-17) Após a consideração de Salomão sobre cada aspecto da vida; os prazeres, aquilo que se produz, ele chegou-se à conclusão: tudo é vaidade. “Vaidade de vaidades, diz o pregador, vaidade de vaidades! Tudo é vaidade.” (Ec 1:2) “Salomão, de todo o coração, procurou perscrutar com sabedoria as coisas terrenas, mas, como logo confessa, debalde, pois só o Espírito de Deus penetra todas as coisas”. A conclusão de todo o seu discurso pode-se ver claramente em Eclesiastes 12:13; “De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo o homem.” Alguém ponderou: “sabedoria, como a encontramos expressa na Bíblia, é "ver as coisas do modo como Deus as vê".

No que se refere à sabedoria divina aprecio o que William S. Plumer disse: “A maior sabedoria desta terra é a santidade”. “Por Deus no trono da vida é a essência da sabedoria”. De fato, compreender o caminho de Deus, reconhecer o nosso dever diante dEle; submetermo-nos a Ele para sermos moldados segundo a Sua palavra e propósitos, indica-nos ser o princípio da sabedoria. “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria e o conhecimento do Santo é prudência” (Pv 9:10). J. I. Packer endossa o assunto com muita propriedade: “Só depois que nos tornamos humildes e ensináveis, boquiabertos com a santidade e a soberania de Deus... reconhecendo nossa própria pequenez, desconfiando de nossos pensamentos e dispondo-nos a permitir que nossa mente seja completamente transformada, é que a sabedoria divina se torna nossa”. Na epístola de Paulo aos Corintios podemos aprender algo da sabedoria divina. “Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria; Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos. Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus.” (I Co 1:22-24) Aqui podemos ter o discernimento da essência da verdadeira sabedoria: Cristo. Irmãos e irmãs, um homem ou mulher pode ser dotado de faculdades científicas, medicinais, biológicas, tecnológicas, teológicas, etc..; porém, se não for regenerado por Deus em Cristo, se não tiver a vida de Cristo em seu interior pela fé, nada disto poderá ajudá-lo no dia do juízo; daí a urgente necessidade de Cristo como sua sabedoria para a salvação. O pastor Tom Ascol expôs o ponto da seguinte maneira: “Qual é a sabedoria divina? O que é a sabedoria divina? É um compreender correto das verdadeiras questões importantes da vida. É a compreensão de que há um Deus no céu, que Ele requer retidão dos homens. É a compreensão que de fato existe um céu, que sem sombra de dúvida há um inferno, que pecado é uma coisa séria diante de Deus. Que há um dia de julgamento que está por vir. Que se nós estivermos retos diante de Deus, se quisermos viver assim, precisamos alcançar o seu perdão. A sabedoria que vem do alto é aquela que é dada aos homens através da fé em Cristo Jesus. Os homens nunca serão sábios neste caminho até que Deus pessoalmente revele a estas pessoas Cristo Jesus. Paulo nos diz que Deus tornou Cristo para nós sabedoria de Deus para nos mostrar a nossa necessidade, e para vir de encontro às nossas necessidades. É a primeira benção quando Deus nos traz um relacionamento adequado com o Seu Filho Jesus. Ele se tornou da parte de Deus; sabedoria.” É necessário Cristo como sabedoria para a compreensão das realidades espirituais, porque sem Ele é impossível a revelação das coisas divinas. “Cristo é a chave que abre o entendimento de toda a Escritura”, disse o irmão Romeu Borneli. “Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente...Todas as coisas me foram entregues por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar.” (I Co 2:14 ; Mt 11:27) Aleluia! Cristo é a nossa sabedoria.



2º JUSTIÇA. A segunda benção que Cristo é para o seu povo é justiça. Este tema é inerente ao evangelho. Como já foi dito, “é o coração do evangelho”. Ninguém poderá entender o cristianismo se antes não entender a realidade espiritual da justificação. “Onde esta verdade bíblica é ignorada ou não compreendida, necessariamente haverá um conceito errôneo quanto à aceitação diante de Deus. Perde-se o verdadeiro conhecimento da salvação quando a verdade a respeito da justificação é perdida” (H.J.Appleby). Em primeira instância devemos verificar que a justificação independe de nossos atos meritórios ou de justiça própria. Por melhor que possa parecer, todas as nossas justiças, as melhores obras que possamos fazer concernentes à nossa aceitabilidade diante de Deus são totalmente insuficientes e consideradas imundas perante o SENHOR. Foi assim que o profeta expressou-se; “Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades como um vento nos arrebatam... Quem do imundo tirará o puro? Ninguém.” (Is 64:6 ; Jó 14:4) Observem irmãos, o profeta não diz que nossos pecados ou iniqüidades são como trapo da imundícia; mas nossas justiças. Aqui, parece-nos estarmos diante de um dilema. Vejam; para sermos aceitos por Deus há necessidade de uma justiça perfeita, imaculada, pois o SENHOR isto requer. O Seu padrão é absoluto. De modo algum Ele poderá aceitar alguém maculado diante de Sua presença; isto seria minimizar a Sua santidade. O SENHOR é três vezes Santo. “Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal...Santo, Santo, Santo, é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, que era, e que é, e que há de vir.” (Hc 1:13ª ; Ap 4:8) Porém, como vimos, não podemos ser justos por nós mesmos diante de Deus. A própria Escritura declara-nos: “Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer.” (Rm 3:10) Nem mesmo se pudéssemos guardar “todos” os preceitos da Lei, isto não poderia assegurar nossa aceitação diante de Deus. Está escrito: “Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada.” (Gl 2:16, ver Rm 8:3) Além disso, o registro de nossa história levanta-se condenavelmente contra nós por todos os nossos atos perversos praticados. Como então poderemos ser aceitos diante de Deus? O pastor Charles Haddon Spurgeon, deixou-nos algo muito importante sobre este aspecto. Disse ele: “Aprendei, amigos meus, a considerar a Deus tão severo em Sua justiça como se nEle não houvesse amor, e tão amoroso como se nEle não houvesse severidade. Seu amor não diminui Sua justiça, nem Sua justiça, no mínimo grau, faz guerra ao Seu amor. As duas coisas estão docemente unidas na expiação de Cristo. Porém, notai que nunca poderemos compreender a plenitude da expiação, até que tenhamos primeiro captado a verdade escriturística da imensa justiça de Deus. Nunca houve uma má palavra dita, nem um mau pensamento concebido ou uma má ação cometida que Deus não tenha punido um ou outro. Ele quer uma satisfação de vocês, ou senão de Cristo. Se não tens expiação por meio de Cristo, você deverá pagar para sempre a dívida que não pode pagar nunca, na miséria eterna; porque tão certo como Deus é Deus, Ele perderá antes a Sua Deidade do que deixar um só pecado sem castigo, ou uma partícula de rebelião sem vingança. Podeis dizer que este caráter de Deus é frio, austero e severo. Não posso impedir que faleis assim; não obstante, o que disse é verdade. Tal é o Deus da Bíblia; e embora repitamos como certo que Ele é amor, não é menos verdade que, além de amor, Ele é repleto de justiça, porque todo o bem se encontra em Deus, e estes elevados à perfeição, de forma que o amor alcança a sua consumada amabilidade e a justiça se torna severamente inflexível nEle. Não há aberração nem distorção em Seu caráter; nenhum de Seus atributos predomina demais a ponto de lançar uma sombra sobre o outro. O amor tem seu pleno domínio, e a justiça não está mais limitada do que Seu amor... Amados irmãos, a gloriosa declaração do evangelho é que em Cristo há uma plena justiça que é imputada a todo o que nele crê, e esta é absolutamente gratuita. “Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas; Isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem; porque não há diferença. Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus. Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.” (Rm 3:21-26) Nestes versos podemos contemplar dois sentidos do termo “justiça de Deus”. 1) É a justiça que Deus tem e manifesta, sendo perfeitamente consistente com tudo o que Ele mesmo é (3:5), 2) Noutros casos, é um dom que Ele dá (1:17). Nos versos 21,22, significa a justiça que Ele nos dá, enquanto que o primeiro sentido se encontra no v.25. Ambas as idéias estão unidas no v.26.* Tudo o que Cristo é e tudo o que Ele realizou em nosso benefício, compreende-se a essência da justiça divina. “O meio necessário para a justificação é a fé pessoal em Jesus Cristo como Salvador crucificado e como Senhor ressurreto (Rm 4.23-25; 10.8-13). A fé é necessária porque o fundamento meritório de nossa justificação está totalmente em Cristo. Ao nos entregarmos a Jesus, em fé, ele nos concede seu dom da justiça, de modo que no próprio ato de “fechar com Cristo” como os mais antigos mestres Reformados diziam -, recebemos o perdão e a aceitação divinos, que não podemos encontrar em nenhum outro lugar (Gl 2.15-16; 3.24)².” Irmãos, todavia precisamos atentar ao fato de que não é a fé que nos justifica; mas sim, a justiça de Cristo, sendo a fé necessária para a sua obtenção. James Buchanan nos ajuda neste raciocínio. Disse ele: “Fé é o instrumento pelo qual a justiça é adquirida. O comer é necessário para a nutrição de nossos corpos, porém o que nutre é o alimento que comemos. E de modo semelhante, a fé é necessária para receber a justiça, todavia, é a justiça de Cristo que efetivamente nos justifica”. Muitos se gloriam na fé para a salvação; porém os salvos gloriam-se no Senhor através do qual receberam a fé para a salvação, porquanto Jesus é o autor e consumador da fé (Hb 12:2). O homem sem justificação é um morto espiritualmente, logo está destituído da verdadeira fé que justifica, pois, “a fé que salva não é oferecida por Deus ao homem; é lhe conferida”. Há uma seguinte observação: “A fé salvadora, da mesma forma que o arrependimento, é o fruto da regeneração; não é um presente do homem a Deus, mas, em essência, um presente de Deus ao homem.” Podemos colocar ainda da seguinte forma: Deus opera mediante a Sua palavra a fé e o arrependimento. Atentemo-nos aos seguintes textos: “Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação... de sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus... Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus... E os gentios, ouvindo isto, alegraram-se, e glorificavam a palavra do Senhor; e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna... Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade...Pois, segundo o seu querer, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas. ” Irmãos, ponto pacífico, a nossa glória está no Senhor. “Porque dele e por meio dele e para ele são todas as cousas. A ele pois, a glória eternamente. Amém.” (Rm 11: 36) Graças a Deus irmãos, pois tudo na vida cristã é pela graça, do começo ao fim. “Merecíamos a condenação, mas Ele nos justificou, merecíamos o inferno, mas Ele nos livrou. Graça, absolutamente graça!” (Tomaz Germanovix) “TENDO sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5:1) “A justiça de Cristo declarada na alta corte de justiça, é nossa absolvição completa e final”. Em II Corintios 5:21 lemos: “Aquele (Cristo) que não conheceu pecado, ele (Deus) o fez pecado por nós; para que nele (em Cristo) fôssemos feitos justiça de Deus.” Irmãos e irmãs, aqui jaz a esperança do evangelho: Cristo é a nossa retidão, Ele é a nossa justiça. Aleluia! Cristo viveu a vida que Deus requer e que nenhum de nós havíamos vivido. Ele observou todos os preceitos da Lei de Deus, magnificando-a e tornando-a honrosa. Não obstante, Ele também padeceu o castigo que a Lei de Deus exigia por causa do pecado. Ele tornou-se tão completamente responsável pelo pecado como se fosse totalmente culpado por ele. Nosso amado irmão Gino Iafrancesco disse com muita propriedade: “Deus não vai cobrar de você o que aceitou cobrar do Cordeiro”. Jesus morreu como se tivesse pecado, não obstante ser reto e justo. “O qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano.” (I Pe 2:22) “O juízo justificador de Deus parece estranho, pois declarar justificados os pecadores parece ser exatamente o tipo de ação injusta praticada por um juiz, que a própria lei de Deus o proíbe (Dt 25.1; Pv 17.15). Contudo, é um julgamento justo, porque sua base é a justiça de Jesus Cristo. Como o último Adão “(1Co 15.45), agindo em nosso favor, como nosso Cabeça representativo, Cristo cumpriu a lei que nos prendia e suportou o castigo que merecíamos pela desobediência à lei e, assim, mereceu” a nossa justificação. Por isso, nossa justificação tem base justa (Rm 3.25-26; 1Jo 1.9), com a justiça de Cristo creditada em nosso favor (Rm 5.18-19).”² Assim, a justiça imputada significa o “cumprimento das exigências de um relacionamento correto com ele, apagando a culpa deles (dos que crêem) e lhes creditando justiça (Rm 3.21,22), ajudando-os assim a dedicar-se em prol daquilo que ele declara justo (Rm 6.11-13).” ³

Vejamos uma declaração final de Spurgeon sobre este ponto. Ele disse: “Oh! então, amados, pensai, pois, quão grande deve ter sido a substituição de Cristo, quando satisfez a Deus por todos os pecados de Seu povo. Porque o pecado do homem exige de Deus castigo eterno, e Deus preparou um Inferno para lançar nele todos os que morram impenitentes. Oh! meus irmãos, podeis pensar sobre qual deve ter sido a grandeza da expiação que foi feita em lugar de todos os eleitos, contemplando esta eterna aflição que Deus deveria lançar sobre nós, se Ele não a tivesse derramado sobre Cristo. Olhai! Olhai! Olhai com solene olhar através das trevas que nos separam do mundo dos espíritos, e vede aquela casa da miséria que os homens chamam Inferno! Não podeis suportar o espetáculo. Lembre-se que naquele lugar há espíritos pagando para sempre a dívida à justiça divina; mas embora alguns deles tenham estado durante os últimos quatro mil anos abrasando-se nas chamas, eles não estão mais pertos da libertação do que quando começaram; e quando dez mil vezes dez mil anos tiverem passado, continuarão sem ter feito satisfação a Deus por sua culpa, como não a tem feito até agora. E agora, podeis captar o pensamento da grandeza da mediação de vosso Salvador quando Ele pagou a vossa dívida, e a pagou de uma vez por todas; de forma que agora não há um só centavo de dívida do povo de Cristo ao seu Deus, exceto a dívida de amor. Para a justiça, o crente não deve nada; embora ele devesse originalmente tanto que nem toda a eternidade seria suficiente para o pagamento de sua dívida, todavia, num momento Cristo a pagou toda, de forma que aquele que crê está inteiramente justificado de toda culpa, e livre de todo castigo, através do que Jesus fez. Considerai, pois, quão grande foi a Sua expiação por tudo quanto Ele fez.”¹

“Sendo justificados (sendo considerados, declarados, pronunciados justos) gratuitamente pela sua graça, pela redenção (resgate) que há em Cristo Jesus. Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue..” (Rm 3:34-25ª ) Graças a Deus, Cristo se nos tornou da parte de Deus “justiça”.



3º SANTIFICAÇÃO. Irmãos e irmãs, partimos agora para a terceira benção que Cristo é para o seu povo: santificação. Tendo considerado a importância do assunto anterior, sem a qual não poderíamos ser aceitos diante de Deus, dirigimos-nos agora àquilo que é a conseqüência inevitável decorrente da justificação; a santificação. Assim como é verdade inquestionável que sem justificação não há absolutamente salvação, é igualmente verdade que sem santificação ninguém poderá ver o Senhor. “Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor.” (Hb 12:14) O Senhor Jesus não apenas perdoa os nossos pecados, como também nos purifica dos mesmos, pois, o pecado não é apenas uma ofensa que necessita de perdão; é uma poluição que necessita de purificação. “A justificação nos torna seguros, enquanto a santificação nos faz sãos”. Observem irmãos; não podemos fazer separação entre justificação e santificação; elas são diferenciáveis, porém, não separáveis. Lemos em Romanos 5:18 o seguinte: “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida.” Esta expressão “que dá vida”, entendemos que é a conseqüência inevitável da justificação. O Senhor não apenas faz Sua obra “por nós”(justificação), como também faz Sua obra “em nós”(santificação). “Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra (passado) a aperfeiçoará (presente contínuo) até ao dia de Jesus Cristo” (Fp 1:6) “A santificação é gradual; se ela não aumentar, é porque não está viva”, dizia Thomas Watson. O mínimo irredutível que se pode atribuir a um cristão é que ele é santo. A igreja portanto, é um agrupamento de santos. Disse o Dr. William Temple: “Ninguém é crente, se não é santo, e ninguém é santo, se não é crente”. Isto não quer dizer impecabilidade, inerrância ou perfeccionismo. Em seu sentido neotestamentário, “santo” significa “pessoa separada”, “posto à parte”, em suma, quer dizer; “povo separado por Deus para o Seu propósito”. Podemos ver esta declaração lendo a epístola de I Pedro 2:9 que diz: “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” Oswald Chambers foi muito feliz em sua colocação dizendo: “O fim destinado ao homem não é felicidade nem saúde, mas, sim, santidade. O único objetivo de Deus é a produção de santos”. “Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor” (Ef 1:4) Notem irmãos, “o apóstolo tem o cuidado de dizer-nos que é “em Cristo” que fomos escolhidos; não fomos apenas escolhidos, mas fomos escolhidos em Cristo”, disse M.Loyd-Jones. Enquanto “santidade” é o estado de ser santo, “santificação” é o processo de se tornar santo; é um processo de crescimento. Podemos ver estes dois exemplos nos seguintes textos: “Para confirmar os vossos corações, para que sejais irrepreensíveis em santidade diante de nosso Deus e Pai, na vinda de nosso SENHOR Jesus Cristo com todos os seus santos... Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação; que vos abstenhais da prostituição” (I Ts 3:13 ; 4:3) Conforme o dicionário bíblico Ebenezer, santificação é “ato divino mediante o qual os crentes cada vez mais se amoldam à imagem de Cristo”. Um cristão anônimo refletiu com muita precisão : “Cristo vem com uma bênção em cada mão - perdão em uma e santidade na outra; ele nunca dá nenhuma delas a quem não aceitar as duas”. E John Flavel, expressou-se nos seguintes termos: “O que a saúde é para o coração, a santidade é para a alma”. Irmãos e irmãs, a verdade acerca de nossa regeneração anuncia-nos que fomos unidos em Cristo na sua morte e ressurreição. Logo, a vida que hoje temos, vivemos pela fé do Filho de Deus. Ora, “não mais eu, mas Cristo” (Gl 2:20), constitui-se a essência da vida cristã. Disto depreendemos que a santificação é mais de Cristo em nós, dia a dia, e menos de nós pelos efeitos operantes da cruz. “É necessário que ele cresça e que eu diminua. Trazendo sempre por toda a parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também nos nossos corpos; E assim nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também na nossa carne mortal.” (Jo 3:30 ; II Co 4:10-11). “Precisamos ter como objetivo um cristianismo que, à semelhança da seiva de uma árvore, percorra todos os ramos e folhas do nosso caráter, a tudo santificando”, dizia J.C.Ryle. Penso que não há nenhuma discrepância em considerarmos o crescimento da vida cristã a partir deste ângulo, isto é, sob o patrocínio da graça de Deus, pois, se faz necessário repetirmos; tudo na vida cristã é pela graça, do princípio ao fim. Desse modo, assim como recebemos a Cristo, devemos prosseguir nele, em tudo dependentes dEle, pois sem Ele nada podemos fazer. Cristo enviou-nos o Seu Espírito para guiar-nos à toda verdade, através do qual somos santificados e transformados de glória em glória, na Sua própria imagem. “Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade. Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor.” (Jo17:17 ; II Co 3:18) “A justificação é aquilo que Deus faz por nós através da pessoa de Jesus Cristo, enquanto a santificação é quase exclusivamente aquilo que Deus faz em nós, por meio do Espírito Santo...O Pai planejou, o Filho a pôs em operação e o Espírito Santo a aplica”. Graças a Deus Pai, pois Ele escolheu um povo em Cristo Jesus, a fim de serem conformados à imagem Dele pelo Espírito Santo. “Entretanto, devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade, para o que também vos chamou mediante o nosso evangelho, para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo”(2 Ts 2:13-14). Aleluia! Cristo é a nossa santificação.



4º REDENÇÃO. Entramos agora ao último ponto de nossa reflexão: Cristo é a Redenção de Deus para o Seu povo. Esta palavra sugere-nos completa libertação. De certa forma compreende toda a obra da salvação, do princípio ao fim. Nosso irmão Romeu Borneli expressou-se assim: “A salvação abrange a regeneração do espírito, a santificação da alma e a redenção do corpo”. A redenção é uma realidade espiritual que compreende a nossa libertação por Cristo de um outro reino em que éramos cativos. Não poderíamos conhecer nenhuma graça à parte da redenção. Podemos reunir tudo o que foi exposto até aqui com este selo de autenticação da verdade: redenção. W. Stanford Reid, nos ajuda a expressar este enfoque dizendo: “Justificação e santificação são dois aspectos ou dois lados da mesma moeda da redenção divina”. Nesta expressão, “redenção”, compreendemos que se trata de nossa “libertação pelo pagamento de um resgate”. Há uma história que ilustra bem esta benção. Refere-se a uma escrava africana que seria leiloada. “Dois homens disputavam os lances para ver quem a compraria, e ambos eram homens perversos. A escrava sabia que sua vida seria miserável se ela caísse nas mãos de qualquer um deles, de forma que chorava muito. Foi quando um terceiro homem entrou na disputa. Os lances foram aumentando, até que os dois primeiros homens já não podiam mais comprá-la. Assim, ela foi comprada pelo terceiro homem. Ele imediatamente chamou um ferreiro para quebrar as correntes que a prendiam e anunciou a sua liberdade, dizendo: “não comprei você para ser uma escrava, mas para lhe dar a liberdade”. Dizendo isto, ele se foi. A moça ficou perplexa por uns dois minutos. Quando ela “voltou a si”, correu atrás do homem, declarando que dali em diante ela seria sua escrava até o dia da sua morte.” Amados, primeiramente vejam a quem pertencíamos, depois considerem o preço que fomos avaliados, considerando atentamente quem foi o nosso Resgatador e a quem pertencemos agora por direito de redenção. “O qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor; Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados;... E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda a tribo, e língua, e povo, e nação” (Cl 1:13-14 ; Ap 5:9) “Divino amor, tão admirável ! Requer minha alma, minha vida, meu tudo”. Em virtude do pecado, éramos escravos do império das trevas, mas Cristo veio para nos comprar, e pagou um alto preço: o seu precioso sangue. Concernente a isto, também expressou o apóstolo Pedro em sua primeira epístola: “Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais, Mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado, O qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós,” (I Pe 1:18-20) Agora somos escravos do Senhor Jesus Cristo. Éramos escravos de Satanás, mas Cristo nos comprou “no mercado”. Somos sua propriedade, pertencemos a Ele. Não fomos nós mesmos que nos redimimos – porque nenhum escravo pode por si mesmo se libertar (ver Jo 8:34 -36) - ; Cristo é a nossa redenção. “O qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a seu tempo” (I Tm 2:6) Nosso irmão Martin Lloyd -Jones considerou: “O Senhor não veio para dizer-nos o que temos de fazer para salvar-nos; Ele veio para salvar-nos. Ser salvo é estar em Cristo; não simplesmente crer no Seu ensino, mas estar nEle, e ser participante da Sua vida, da Sua morte, do Seu sepultamento, da Sua ressurreição, da Sua ascensão”. P. T. Forsyth também foi oportuno em seu raciocínio: “Como raça, não somos nem ovelhas desviadas nem meramente pródigos errantes: somos rebeldes com armas nas mãos. Portanto, nossa suprema necessidade da parte de Deus não é a educação de nossa consciência... é a nossa redenção.” Amados irmãos, igualmente, esta redenção também tem implicância na nossa salvação futura, pois o mesmo Senhor que pagou o preço pelo Seu povo, também assegura esta salvação com eficácia até o dia de Sua volta onde a salvação estará completada. Nosso Senhor Jesus Cristo é tudo: é tanto a propiciação, como o propiciatório, também a oferta como o Sumo Sacerdote de nossa confissão, “Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.” (Hb 7:25)

“Assim, a justificação dá ao crente a garantia da sua santificação, para esperar com toda a alegria a glorificação final, onde a salvação estará realizada”. Irmãos e irmãs, resumindo tudo o que até aqui temos compartilhado, podemos afirmar indubitavelmente, que a menos que alguém receba o Filho de Deus como sua suficiência, nenhuma destas bênçãos acima poderá ser-lhe apropriada. Nas palavras de Martin Lloyd-Jones “qualquer coisa que se apresente como cristianismo, mas que não insista na absoluta e essencial necessidade de Cristo, não é cristianismo. Se Ele não for o coração, a alma e o centro, o princípio e o fim do que é oferecido como salvação, não é a salvação cristã, seja lá o que for.” Para compreendermos o propósito da salvação, precisamos de Cristo como nossa sabedoria; para sermos libertos da condenação do pecado, precisamos de Cristo como nossa justiça; para sermos santificados – pois sem santificação ninguém verá o Senhor-, precisamos de Cristo como nossa santificação; e para sermos libertos de nossa condição corporal e implicações do pecado, precisamos de Cristo como nossa redenção. “...o próprio Cristo se revela a nós como resposta a todas as exigências de Deus...Quando Cristo lhe pertence, tudo quanto se acha nEle também é seu”. Cristo é a tua suficiência?



¹ (Trecho do livro “Redenção Particular” C.H.Spurgeon, editora PES )

² (Bíblia de estudo de Genebra)

³ (Conforme dicionário bíblico Ebenezer)

* (Comentário Bíblia Vida Nova)



Levi Cândido

Barueri, 01 fevereiro de 2009

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