Leituras:
Mateus 1:18–23;
Lucas 1:34–35;
João 1:1–18;
João 14:8–11; Colossenses 1:15–20; Hebreus 1:1–3; 2 Coríntios 13:14.
"Achou-se grávida pelo Espírito Santo."
(Mateus 1:18)
Poucas declarações das Escrituras são tão simples e, ao mesmo tempo, tão profundas quanto esta:
Maria achou-se grávida do Espírito Santo.
Não se trata apenas da descrição de um milagre. Estamos diante de uma das mais elevadas revelações acerca da Pessoa de Cristo e da perfeita unidade do Deus Triúno.
A Bíblia afirma que há um só Deus (Deuteronômio 6:4). Essa verdade jamais foi abandonada pelo Novo Testamento. Os apóstolos não anunciaram três deuses, mas um único Deus, eternamente existente como Pai, Filho e Espírito Santo.
As Escrituras não procuram explicar Deus segundo a lógica humana.
Elas O revelam.
Quando o anjo anunciou o nascimento de Jesus, disse a Maria:
"Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus."
(Lucas 1:35)
Em um único versículo contemplamos o Espírito Santo, o Altíssimo — o Pai — e o Filho.
Não são três manifestações sucessivas de um mesmo ser, nem três deuses independentes.
São três Pessoas divinas que coexistem eternamente e operam inseparavelmente.
Toda obra de Deus manifesta essa perfeita comunhão.
O Pai envia.
O Filho realiza.
O Espírito aplica.
Jamais competem entre Si.
Jamais agem separadamente.
Tudo procede do Pai, por meio do Filho e no Espírito Santo.
Essa harmonia pode ser contemplada desde a criação.
O Pai cria todas as coisas por meio do Verbo (João 1:3), enquanto o Espírito pairava sobre a face das águas (Gênesis 1:2).
Na encarnação acontece o mesmo.
O Pai envia.
O Espírito forma milagrosamente a humanidade de Cristo no ventre de Maria.
E Aquele que nasce é o Filho eterno de Deus revestido da natureza humana.
Por isso, afirmar que Maria concebeu pelo Espírito Santo jamais significa que Jesus seja "filho do Espírito" quanto à Sua origem pessoal.
O Filho não começou a existir em Belém.
Ele é eterno.
João declara:
"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus."
(João 1:1)
Antes de haver Maria.
Antes de existir o mundo.
O Filho já era.
A encarnação não foi o nascimento da divindade, mas a entrada do Filho eterno na história humana, assumindo nossa natureza sem deixar de ser quem eternamente é.
Por isso Isaías O chama Emanuel:
"Deus conosco."
(Mateus 1:23)
Jesus não veio apenas representar Deus.
Ele veio revelá-Lo.
Quando Filipe pediu:
"Senhor, mostra-nos o Pai",
Jesus respondeu:
"Quem me vê a mim vê o Pai... Eu estou no Pai, e o Pai está em mim."
(João 14:8–11)
Essas palavras não anulam a distinção entre Pai e Filho.
Antes revelam a perfeita unidade da natureza divina.
Por isso Jesus também declarou:
"Eu e o Pai somos um."
(João 10:30)
Não apenas um em propósito.
Um em essência.
Um em divindade.
Um em glória.
O autor de Hebreus afirma que Cristo é:
"O resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser."
(Hebreus 1:3)
E Paulo acrescenta:
"Porque, nele, habita corporalmente toda a plenitude da divindade."
(Colossenses 2:9)
Tudo o que Deus é encontra sua perfeita expressão no Filho.
Isso também explica a atuação do Espírito Santo.
O Espírito não fala de Si mesmo.
Seu ministério consiste em glorificar Cristo (João 16:13–15).
Ele toma as riquezas do Filho e as comunica ao Seu povo.
Andrew Murray lembrava que toda verdadeira obra do Espírito conduz inevitavelmente a uma comunhão mais profunda com Cristo. O Espírito nunca ocupa o lugar do Filho; antes, torna o Filho conhecido no coração dos homens.
Da mesma forma, T. Austin-Sparks enfatizava que toda a intenção eterna de Deus converge para que Cristo tenha a preeminência em todas as coisas (Colossenses 1:18). O Espírito trabalha silenciosamente para formar Cristo em nós, conduzindo-nos ao propósito eterno do Pai.
Watchman Nee também observava que jamais podemos separar aquilo que Deus uniu. O Pai planejou nossa redenção. O Filho a consumou na cruz. O Espírito a torna uma experiência viva dentro de nós. Não são três obras independentes, mas uma única obra do Deus eterno.
Essa unidade aparece novamente na bênção apostólica:
"A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós."
(2 Coríntios 13:14)
Não encontramos aqui três fontes de bênção.
Encontramos um único Deus comunicando Sua própria vida ao homem.
O Pai é a fonte.
O Filho é a perfeita revelação dessa graça.
O Espírito nos introduz nessa comunhão.
Assim, quando lemos que Maria achou-se grávida do Espírito Santo, contemplamos muito mais do que um nascimento milagroso.
Contemplamos o Deus eterno realizando Seu propósito de redenção.
O Pai envia Seu Filho amado.
O Filho eterno assume nossa humanidade.
O Espírito prepara um corpo para Aquele que seria o Cordeiro de Deus.
Tudo acontece em perfeita unidade.
Tudo revela um único Deus.
Tudo converge para Cristo.
Porque, desde o princípio até a consumação, toda a revelação das Escrituras aponta para Ele, "a imagem do Deus invisível" (Colossenses 1:15), em quem o Pai Se dá a conhecer e por meio de quem o Espírito comunica a própria vida de Deus ao Seu povo, a Igreja.
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