Uma interpretação errônea do termo “indignamente” tem impedido algumas pessoas conscienciosas de se aproximarem da Mesa. Elas raciocinam assim: “Nunca posso ter certeza de que sou digno. Sei que meu Salvador é digno, que toda santidade, toda pureza, toda bondade são Dele, mas estou tão consciente das impurezas que brotam do meu próprio coração mau, estou tão consciente das minhas frequentes falhas em pensamento, palavra e ação, que, se a questão é dignidade, não ouso vir à Mesa do Senhor, não ouso receber esses elementos sagrados, pois estou muito longe de ser digno”. Permita-me dizer-lhe, meu amigo consciencioso, que a palavra aqui não é “indigno”, mas sim “indignamente”, referindo-se não à pessoa, mas ao estado de espírito com que alguém se aproxima da Mesa do Senhor. É claro que, por nós mesmos, somos totalmente indignos, mas encontramos aceitação naquele que é digno, e em Cristo todo crente é digno de se aproximar da Mesa do Senhor. Lembro-me de ter lido sobre um santo idoso oprimido por um sentimento de indignidade. Ele se curvou, chorando, enquanto os emblemas sagrados circulavam e se recusou a tocar no pão. Quando o diácono o ofereceu, ele soluçou: “Sou um pecador grande demais para receber algo tão santo”, e o velho ministro das Terras Altas exclamou: “Tome, meu amigo, tome; Jesus morreu pelos pecadores e por mais ninguém”. Ah, sim, o próprio reconhecimento da minha pecaminosidade é o que me dá o direito de vir, porque “Esta palavra é fiel e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores” ( 1 Timóteo 1:15 ). Se eu realmente sinto a minha pecaminosidade, a confesso e deposito a minha confiança no Salvador dos pecadores, então nEle encontro a minha dignidade.
(Henry A. Ironside)